Lixo começa a se amontoar pelas ruas de Marília. Monte Azul reclama de calotes da Prefeitura e faz operação tartaruga

July 23, 2018

 

     Sacos de lixo acumulados pela Rua 9 de Julho, no Bairro Cascata, em Marília

 

 

MATÉRIA ATUALIZADA AS 16H40

 

A empresa Monte Azul, que iniciou na sexta-feira (20) uma operação tartaruga. (caminhões e funcionários da coleta de lixo que deveriam sair da garagem as 7h, só começaram a deixar o local as 10h da manhã), encaminhou nota ao JP informando que concedeu um prazo para a Prefeitura de Marília regularizar os calotes à empresa:

"A direção da Monte Azul Ambiental informa que a Prefeitura de Marília pediu alguns dias de prazo para apresentar proposta para pagamento parcelado dos débitos referentes ao serviço de coleta de resíduos domiciliares relativos ao período 2017/2018. 

Diante disso, a direção da empresa decidiu dar um voto de confiança para a administração municipal e vai manter a execução do serviço".

A Monte Azul ameaça deixar a cidade e já emitiu avisos prévios para seus cerca de 40 funcionários em Marília. 

LIXO COMEÇA A SE AMONTOAR PELA CIDADE

 

Enquanto segue o rolo entre a Monte Azul e a Prefeitura, lixos domésticos já começam a ser vistos acumulados pela cidade

O diretor da Monte Azul na sede da empresa em Araçatuba, Gabriel Lopes, disse ao JP que os débitos da Prefeitura são de cerca de R$ 10 milhões, envolvendo dívidas da atual gestão e da gestão passada.

A assessoria de imprensa da Prefeitura, por sua vez, divulgou nota afirmando que a empresa "não vai parar". O entrave gerou suspeitas que a Monte Azul estaria fazendo chantagem com a Prefeitura. A empresa concedeu avisos prévios para todos os seus cerca de 40 funcionários em Marília, mas espalhou entre eles que "se a Prefeitura pagar", os documentos poderão ser rasgados.

Em março deste ano, a Monte Azul protocolou uma ação judicial contra a Prefeitura, cobrando cerca de R$ 8,5 milhões. O juiz da Vara da Fazenda Pública deu um prazo de 30 dias para a Prefeitura se manifestar, mas não houve acordo.

"Chegamos à uma situação insustentável e vamos parar as atividades a partir desta sexta-feira", disse Gabriel Lopes, diretor da Monte Azul. A empresa também emitiu aviso-prévio para parte de seus cerca de 40 funcionários aqui na cidade.

NOTA DA MONTE AZUL

A empresa Monte Azul enviou nota ao JP com o seguinte teor:

A direção da Monte Azul Ambiental contesta afirmativas da matéria veiculada sob o título “Lixo começa a se amontoar pelas ruas de Marília. Monte Azul reclama de calotes da Prefeitura e faz operação tartaruga”. 

A começar pelo próprio título: 

A Monte Azul não está reclamando de calotes da Prefeitura: na sexta-feira às 16h22, encaminhamos por e-mail, nota ao jornalista Lucca, no qual informamos sobre a suspensão da possibilidade de paralisação do serviço de coleta em decorrência de a administração municipal colocar sob análise proposta de pagamento parcelado do débito, apresentada pela Monte Azul Ambiental. 

Operação tartaruga: Em nenhum momento da etapa que precedeu a abertura das negociações com a Prefeitura de Marília, a Monte Azul Ambiental realizou qualquer estratégia para dificultar ou retardar a realização dos serviços. Todos foram realizados em datas e horários de praxe.

Finalmente e o mais esclarecedor:  a Rua 9 de Julho, Bairro Cascata onde a reportagem afirma haver sacos de lixo acumulados, não integra a área sob gestão da Monte Azul Ambiental. Nessa região a coleta é realizada pela Prefeitura de Marília.

No aguardo da atualização das informações constantes no Portal Jornal do Povo, informamos que os serviços de coleta de resíduos domiciliares na área sob gestão da Monte Azul Ambiental, que corresponde a quase 50% do perímetro urbano de Marília e o transbordo do material coletado em toda estão sendo realizado normalmente.

NOTA DA REDAÇÃO

O JP em nenhum momento disse que o lixo amontoado na Rua 9 de Julho é responsabilidade da Monte Azul. Sobre a operação tartaruga da empresa, ela ocorreu sim na manhã da sexta-feira (20), quando caminhões e funcionários da empresa, que deveriam iniciar os trabalhos as 7h, só sairam da sede da empresa as 10h, conforme mostrado em reportagem.

E no mesmo dia, o diretor-administrativo da Monte Azul, Gabriel Lopes, concedeu entrevista via telefone ao JP, onde reclamou sim dos calotes: "Chegamos à uma situação insustentável e vamos parar as atividades a partir desta sexta-feira", disse ele. 

Ainda na sexta-feira a assessoria de imprensa da Monte Azul informou, em nota ao JP, anunciando que haveria a paralisação, caso a Prefeitura não pagasse as dívidas: "Se ocorrer a suspensão dos serviços da Monte Azul Ambiental será após o dia 20. Se a prefeitura pagar não ocorrerá a suspensão".

 

PREFEITO DIZ QUE ESTÁ "TUDO REGULAR"

 

 

Contactado pelo JP no final da noite desta quarta-feira (18), o prefeito Daniel Alonso disse desconhecer o assunto. "De onde tirou isso", questionou. Sobre eventuais atrasos de pagamentos, afirmou: "Pelo que eu saiba a situação está regular. As maiores dívidas são do governo anterior".

Perguntado se teria alguma alternativa, caso a empresa realmente paralise as atividades, o prefeito respondeu: "Quando eu assumi, a empresa já estava parada. A alternativa vocês já sabem".

Sobre o fato do TCE (Tribunal de Contas do Estado) ter considerado irregular o contrato da Prefeitura com a Monte Azul (efetivado pela gestão passada, em 2013 - veja abaixo), Daniel Alonso foi sucinto: "Não fui eu que assinei. Eu só cumpro". 

Quando assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2017, o atual prefeito lixo acumulado por toda a cidade, já que o ex-prefeito Vinícius deixou de fazer as coletas no final de seu governo. Entre os protestos pela sujeira na cidade, houve até despejo de lixo em frente o prédio da Prefeitura.

Daniel Alonso alugou caminhões e promoveu um mutirão de limpeza na cidade. Em março de 2017, o prefeito alugou quatro caminhões de coleta de lixo da Empresa Monte Azul, pagando R$ 20 mil por mês pelo aluguel de cada caminhão.  O Ministério Público Estadual decidiu pela abertura de um Inquérito Civil para apurar as denúncias de superfaturamento e improbidade administrativa do prefeito. O caso foi apurado e arquivado.

Em maio do mesmo ano, a Prefeitura de Marília adquiriu três caminhões novos de coleta de lixo, pagando R$ 735 mil por eles, ou seja, R$ 245 mil cada um.

 

 

       Avisos prévios já foram emitidos pela Monte Azul aos funcionários da empresa, em Marília

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

WHATSAPP DO JORNAL DO POVO PARA ENVIO DE SUGESTÕES, FOTOS OU VÍDEOS
99797-5612 
99797-3003
Siga "JP POVO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black