Relatório da CPI da Carne Estragada incrimina prefeito Daniel Alonso, ex-secretário e assessores pela perda de 7 toneladas na Cozinha Piloto

August 22, 2018

 

           Nardi, Maurício Roberto e Danilo da Saúde, integrantes da CPI da Carne Estragada

 

O relatório da CPI da Carne Estragada, apresentado na sessão camarária desta segunda-feira (27) incriminou o prefeito Daniel Alonso (PSDB), o  ex-secretário da Educação, Beto Cavalari e assessores pela perda de 7 toneladas de carnes na Cozinha Piloto. O relatório seguirá agora para o Ministério Público. 

A conclusão do relatório da CPI de que o prefeito e o ex-secretário cometeram atos que podem ser enquadrados como improbidade administrativa baseou-se no fato de que a carne da merenda que estragou provocou prejuízo de R$ 160 mil aos cofres públicos.

O relatório ainda sugere que os envolvidos descumpriram o que estabelece o Regimento Técnico de Boas Práticas para os Serviços de Alimentação. De acordo com a investigação, houve irregularidades no manuseio da carne.

Iniciada em 20 de fevereiro, teve prazo de 7 meses para conclusão, com objetivo de apurar responsabilidades pela perda de sete toneladas de carnes na Cozinha Piloto da Prefeitura de Marília, no final do ano passado.

Durante os trabalhos, os membros da CPI vistoriaram a Cozinha Piloto e escolas municipais,a companhando o processo de armazenamento e distribuição das carnes para a merenda escolar.

A perda das sete toneladas de carnes provocou prejuízos de cerca de R$ 160 mil aos cofres públicos. Tudo foi recolhido e descartado por uma empresa da área de ração para animais.

A Comissão ouviu servidores da Cozinha Piloto e da Vigilância Sanitária, além de técnicos em refrigeração (que cuidavam da câmara fria da Cozinha Piloto) e os secretários municipais da Fazenda e da Administração, Levi Gomes e José Faneco, respectivamente.

Também foi ouvido o ex-secretário municipal da Educação, Beto Cavallari, o chefe de gabinete da Prefeitura, Mácio Spósito e o prefeito Daniel Alonso. O depoimento de Cavallari (veja aqui) foi o mais contundente, pois ele incriminou o prefeito pela perda da carne e prejuízos aos cofres públicos. 

Cavallari revelou que em função da impossibilidade de se realizar nova licitação (já que um contrato de compra emergencial anterior havia suspenso pela Justiça) havia um processo de racionamento das carnes da merenda.

"Em uma reunião no gabinete do prefeito, com ele e membros do núcleo de poder, ficou decido que seria moída a carne. Foi moída para poder render mais e responder a um estado de crise", disse.

O ex-secretário disse que em várias situações e diretamente por ele, o prefeito soube que a câmara fria da Cozinha Piloto era insuficiente para grandes armazenamentos. O equipamento tem capacidade para três toneladas de produtos, mas na época dos fatos, armazenava o dobro.

O sangue de parte da carne que estragou escorreu pela câmara e contaminou todo o restante, criando um ambiente fétido na Cozinha Piloto, durante o recesso escolar. Técnicos da Vigilância Sanitária, ouvidos pela CPI,  relataram mau-cheiro assim que se aproximaram da câmara fria, durante inspeção dos produtos, logo após denúncias sobre as perdas vazarem nas redes sociais.

DEPOIMENTO DO PREFEITO

 

 

Em depoimento de cerca de quarenta minutos na CPI da Carne Estragada, em junho, o prefeito Daniel Alonso (PSDB) negou ter realizado reunião em seu gabinete, com secretários e assessores, para definir sobre moagem de carne na Cozinha Piloto. Declaração nesse sentido havia sido dada à CPI pelo ex-secretário municipal da Educação, Beto Cavallari, na semana passada.

"Isso não cabe ao prefeito, seria até ridículo. Nunca existiu reunião para tratar disso. Moer a carne, picar a carne, servir como bife ou acebolada. Desculpem a ironia, mas nem na minha casa eu decido isso. Não sei nem o que vou comer na janta, quem decide isso em casa é a minha cozinheira", disse o prefeito. 

Ele disse que, quando soube da perda das 7 toneladas de carnes, determinou o imediato descarte dos produtos. "Algumas pessoas até disseram que parte poderia ser reaproveitada, mas para não correr riscos e preservar a qualidade e a propriedade dos alimentos servidos às crianças nas escolas, decidi descartar tudo, diante dos laudos da Vigilância Sanitária".

O prefeito afirmou ainda que foi ele quem acionou a Vigilância Sanitária quando soube do problema com a câmara fria. Falou que o secretário, "assim como todos os demais", tinha plena autonomia "para desenvolver os projetos de gestão. Se houvesse alguma dificuldade, poderia requisitar assessoria".

"É DE DOER PERDER SETE TONELADAS DE CARNES"

O prefeito criticou a forma como o ex-secretário comunicou esta medida aos professores e funcionários da Rede. "Fez por circular. Deveria ter mantido contato direto, verbal com os servidores e explicar as exigência do Tribunal de Contas".

Daniel Alonso disse que sete toneladas de carnes na Cozinha Piloto é uma quantidade normal para o abastecimento das escolas. "Como são 54 mil refeições por dia, isso dá para uma semana. Temos que ter estoques suficientes para servir as escolas. Na recente  greve dos caminhoneiros, por exemplo, não tivemos problemas de abastecimento. Essa gestão vinha de longos anos", comentou.

Ele afirmou que a carne estava sendo estocada para abastecer as escolas durante a jornada especial, que acontece nos meses de janeiro. "Quando assumi a Prefeitura, o estoque na Cozinha Piloto era mais ou menos esse, também".

O prefeito disse que o sistema foi alterado a partir da troca do secretário da Educação, em janeiro deste ano, quando a carne passou a ser entregue diretamente pela empresa fornecedora nas escolas, em quantidades suficientes para uma semana.

"Esse novo sistema, sem passar pela Cozinha Piloto, gerou somente nos primeiros meses deste ano, uma economia de R$ 800 mil reais. É de doer perder sete toneladas de carnes, erros acontecem. Mas preciso destacar também o que economizamos com o novo sistema de gestão", disse Daniel Alonso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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