Investigação sobre ataques e falta de decoro de Coraíni depende de sete votos. Cidadão humilhado por ele ao pedir ajuda faleceu alguns dias após se aposentar

September 20, 2018

A Câmara Municipal votará na próxima segunda-feira (24), a Representação protocolada pelo ex-vereador e engenheiro, Roberto Monteiro, com pedido de cassação do vereador Mário Coraíni (PTB) pela "prática que implica em atos de quebra de decoro parlamentar, bem como faltar com os mais  básicos deveres compatíveis com o cargo que ocupa".

"O representado já há algum tempo vem agindo de forma cada vez mais agressiva, mediante um conjunto de atos que tem tido um efeito prático muito claro: desmoralizar a Câmara Municipal", cita a Representação, que tem mais de dez páginas.

São necessários pelo menos sete votos (maioria simples) dos 13 vereadores para a abertura das investigações dos repugnantes atos praticados por Coraíni. Pelo corporativismo, não deverá ter nenhum voto a favor do pedido. "Não é, ainda, para cassar o mandato dele. Caso haja os três votos ou mais, serão iniciadas as apurações da flagrante conduta indecorosa do vereador. Acredito que os vereadores também reprovam esses tipos de atitudes com graves ofensas a moradores humildes e cidadãos que comparecem nas galerias da própria Câmara Municipal, que está sendo desmoralizada por esse vereador tão mal-educado", disse Monteiro.

 

                     Coraíni ataca moradores que estavam nas galerias da Câmara Municipal

 

O documento cita um "ato deplorável" de Coraíni, que agrediu com xingamentos um pedinte em frente uma agência bancária da cidade. As cenas foram gravadas em vídeo e viralizaram nas redes sociais, com milhares de manifestações de repúdio da população ao ato do vereador, que tem 82 anos de idade. "Vai pastar, você tem que comer grama, mesmo, vagabundo", disse em altos brados o vereador ao homem necessitado que pedia esmolas na porta do estabelecimento.

Monteiro disse ao JP que decidiu protocolar o pedido por não suportar mais ver "esse sujeito" ofender a população e ficar impune. "Se diz tanto ser professor, embora já tenha até sido demitido da universidade por entreveros com alunos e ter cinco mandatos, mas é um mal-educado que não respeita as pessoas, especialmente as mais humildes, com ofensas e xingamentos, em atos de flagrantes humilhações. Passou da hora desse elemento ser banido da vida pública, para a Câmara e para a população de Marília, que não merece esse tipo de gente como representante".

 

         

            Coraíni ofendendo o cidadão que pedia ajuda, na porta de um banco, em Marília

 

Outro episódio citado na Representação aconteceu na sessão camarária do dia 10 deste mês, onde Coraíni discutiu com moradores que acompanhavam a sessão nas galerias. 

"Não estou a procura de voto, não quero voto de ninguém, enfiem no rabo, oh", berrou o vereador para um dos moradores. Em seguida, pediu que o presidente da Casa mandasse os populares "calar a boca". 

Novamente o repugnante episódio foi gravado e circulou nas redes sociais, causando grande indignação e revolta da população. 

Conforme o Dicionário Aurélio, decoro significa "correção moral, compostura, decência e dignidade".

O engenheiro pede, ao final, que seja aplicada, de acordo com Lei Municipal, a cassação do mandato de Coraíni por quebra de decoro parlamentar. O documento protocolado na Câmara Municipal , já está nas mãos do presidente da Casa, Wilson Damasceno (PSDB), que ainda não se manifestou sobre as medidas que irá adotar nesse sentido.

CHIQUINHO, O CIDADÃO OFENDIDO NA PORTA DO BANCO,  FALECEU 

O cidadão que aparece no vídeo sendo ofendido pelo vereador Mário Coraíni, faleceu. Chiquinho, como era conhecido, teve seu estado de saúde agravado pelo diabetes e morreu no último dia 16 de agosto, na casa onde morava sozinho, na Zona Norte de Marília.

Chiquinho tinha sete filhos, entre eles duas meninas menores de idade, que estão morando em São Paulo. Uma irmã dele, chamada Vanusa, disse que Chiquinho chegou a ter o apelido de Maguila quando ainda trabalhava como servente de pedreiro.

"Ele sempre foi trabalhador, respeitava todo mundo e era bem estimado. Quando ficou doente, emagreceu e teve as complicações pelo diabetes, inclusive com parte do pé avançando para amputação", comentou a irmã, em entrevista ao JP. Ela também falou ao âncora do "Jornal da 950", José Henrique.

Sobre o triste episódio com o vereador, ela disse que ficou sabendo do ocorrido ao ver o vídeo pela internet. "Ficamos chateados, porque meu irmão sempre foi trabalhador e decidiu buscar ajuda por causa da doença. Se alguém não quisesse dar ajuda para ele, tudo bem, mas não deveria maltratar, humilhar daquele jeito. Não sede agir assim com ninguém, Nem com um animal. A nossa vida é como uma roda gigante: hoje os que estão aqui em baixo podem estar lá em cima e vice-versa", comentou.

O processo de aposentadoria de Chiquinho foi concluído em julho e ele chegou a receber o primeiro benefício em agosto, poucos tempo antes de morrer. "Conseguiu a aposentadoria porque sempre trabalhou", observou a irmã dele. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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