Após sete ocorrências policiais e rivalidade de anos, brigas entre vizinhas termina em morte a facadas, na região

                      Elisângela matou a vizinha Justina, após sete ocorrências de brigas e desavenças

 

A intolerância e a incapacidade de convivência entre duas vizinhas foi a trágica combinação que resultou na morte de Justina Coelho Lopes, 69 anos, nesta segunda-feira (1), em Bauru. A mulher foi morta a facadas, quando chegava em casa, pela dona de casa Elisângela de Castro, 35 anos, que não tinha antecedentes criminais e foi presa em flagrante, depois de ser capturada pela Polícia Militar (PM).

O crime foi registrado por volta de 13h desta segunda (1), na quadra 2 da rua Áurea Maldonado Gandara, na Vila Zillo, região do Jardim Estoril 3, onde as duas moravam. Segundo parentes de Elisângela, ela teve um acesso de fúria ao descobrir, na manhã desta segunda, que havia sido condenada a pagar indenização de R$ 7 mil a Justina por danos morais.

De acordo com a sentença, a que o Jornal da Cidade teve acesso, as brigas entre as duas tiveram início em 2015, quando Elisângela mudou-se com o marido, duas filhas e uma neta para a casa ao lado da de Justina. Desde então, a vítima registrou sete boletins de ocorrência contra a dona de casa e, em janeiro deste ano, ingressou com uma ação contra ela.

Samantha Ciuffa

Justina Lopes foi socorrida, mas não resistiu

Para justificar o pedido de indenização, ela alegou que vinha sendo ameaçada de morte e ofendida com xingamentos pela vizinha. Elisângela também teria, com o objetivo de provocar Justina, ateado fogo em lixo para que a fumaça entrasse na casa dela.

'TRAGÉDIA ANUNCIADA'

Vizinhos e familiares de Elisângela, contudo, alegam que era Justina quem implicava e arrumava confusão com todos os moradores da rua por motivos fúteis. À Polícia Civil, parentes contaram que a vizinha teria até mesmo envenenado dois cães da dona de casa, provocando a morte de um deles.

"Foi uma tragédia anunciada. Todo mundo sabia do desentendimento entre elas. Uma vez, esta senhora jogou água, por cima do muro, nas crianças que estavam brincando no quintal. Ela xingava todo mundo, não dava paz, mas a Elisângela nunca teve coragem de denunciar", conta a sogra, que não quis se identificar.

A filha, também sob a condição de anonimato, disse que Elisângela "tem problema de cabeça" e que a família pretendia ingressar com ação judicial contra Justina. "Mas, não deu tempo. Minha mãe estava de cabeça quente e fez o que fez. Não tem mais o que fazer agora. Acabou", lamenta.

Polícia Militar/Divulgação

Faca que Elisângela usou no crime foi apreendida pela polícia

O processo movido por Justina correu sem que Elisângela apresentasse contestação ou recurso após a decisão em primeira instância. A ação, então, transitou em julgado e, segundo o cartório da 4ª. Vara Cível, a ré foi comunicada da decisão na última quarta-feira.

Na manhã desta segunda-feira (1), Elisângela procurou um advogado, quando, provavelmente, entendeu a condição de irreversibilidade da condenação. O profissional, que a acompanhou até o Plantão Policial após o crime, informou à reportagem que só se manifestaria em juízo.

O CRIME

Segundo familiares, Elisângela voltou para casa depois de conversar com o advogado. Justina tinha ido ao Centro da cidade para fazer compras e, ao retornar, encontrou a vizinha na calçada. Uma discussão teve início e Elisângela se apoderou de uma faca para golpear a vítima. Os objetos que a idosa carregava - como , sacolas, bolsa e óculos de sol - ficaram espalhados pela rua de terra do bairro.

Durante a briga, um vizinho ainda teria tentado intervir, mas, quando conseguiu tirar a faca da mão da autora, Justina já havia sido atingida por diversos golpes. De acordo com a delegada Luciana Claro, que registrou a ocorrência, o laudo necroscópico que confirmaria o número de perfurações não havia sido divulgado até o início da noite desta segunda (1).

A vítima foi socorrida por populares ainda com vida e levada ao Pronto-Socorro Central (PSC), mas, devido à extensão dos ferimentos, morreu pouco depois de dar entrada na unidade. Elisângela tentou fugir de carro com a ajuda de um cunhado, mas foi abordada por uma equipe da Polícia Militar a cerca de um quilômetro de distância, na quadra 1 da rua Luís Ferrari, no Parque das Nações.

A mulher foi levada ao Plantão Policial, mas informou, orientada pelo advogado, que só se manifestaria em juízo. Ela foi presa em flagrante e responderá a inquérito por homicídio simples.

 

 

 

 

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