NOS TRILHOS DA HISTÓRIA: desenvolvimento ferroviário, renovação de contratos e a volta dos trens

November 20, 2018

 

Sergio Feijão Filho, 59 anos, diretor da Associação de Preservação da Memória Ferroviária, estará escrevendo semanalmente no JORNAL DO POVO, temas relacionados à ferrovia, inclusive sobre os trâmites para o possível retorno dos trens de cargas e passageiros pela malha ferroviária que passa por Marília

 

No Brasil de hoje, a pluralidade e o exercício de opiniões, as mais diversas possíveis, tem de acompanhar raciocínios lógicos e com esperada fundamentação, para que o salutar mecanismo da discussão traga contribuições eficazes para o desenvolvimento em geral.

Em diferentes oportunidades em que se discutiu o desenvolvimento ferroviário e a renovação dos contratos de concessão, foi observado que na infraestrutura o volume de investimentos é muito intenso e a sua amortização, realizada a médio e longo prazo.

Enveredando pelo setor ferroviário, verificasse que a intensidade de capitais é algo sempre presente e constante. Tomando, por exemplo, o universo ferroviário norte-americano e canadense a robusta malha ferroviária destes dois países mostra intensa capilaridade e capacitação, tornando tudo muito ágil e desembaraçado de regulamentações ancestrais que lá, felizmente, foram revogadas entre os anos 70 e 80 por conta da reorganização dos caminhos de ferro, após a falência de gigantes, como a Penn-Central, originando a Conrail, hoje CSX!

A discussão da renovação da concessão das atuais concessionárias ferroviárias pede por bom-senso e serenidade, com ênfase ao debate técnico e não ideológico/partidário.

O processo de renovação das concessões das malhas ferroviárias distribuídas pelo Brasil, irá corrigir questões contratuais, que refletirão positivamente no operacional, pois a rede ferroviária brasileira hoje se encontra defasada em relação ao que se espera dela, congelada que está no tempo passado, necessita com a maior urgência ser repensada, atualizada e expandida para as reais fronteiras que se espera atingir.

Como é sabido, a estrada de ferro no país foi realizada atendendo situações logísticas de época, não se planejando, como, aliás é de praxe, o futuro, com as consequentes mudanças de cenário. Assim grandes redes foram criadas e mantidas para finalidades que, com o tempo, foram superadas por mudança do cenário econômico, gerando ineficiência e prejuízos. Os horizontes ferroviários devem ser repensados, pois as fronteiras agrícolas foram reposicionadas e se encontram muito além dos atuais limites de uma malha envelhecida e que, por erro estratégico governamental, não se aprofundou onde hoje ela é necessária e faz diferença.

Eixos ferroviários mal traçados, quer em planta, quanto em perfil, interferências urbanas de toda a monta, estrutura de terminais e portos ultrapassada, pouco afinamento entre diferentes integrantes do meio logístico, trazem apreensão geral.

Salvo honrosos exemplos, como os de São Paulo, onde grandes eixos estão corretamente posicionados, como o grande Ramal de Jahú, com os seus 506 quilômetros de extensão, ligando Itirapina a Panorama, outras linhas acabaram ficando no tempo, destituídas de interesse econômico e/ou estratégico, portanto de operação deficitária. Outras, com vocação totalmente regionalizada, poderão ser entendidas como linhas curtas (shortlines) e integrarem Estradas regionalizadas que alimentarão o tronco, interagindo com a ferrovia concessionada.

A ferrovia regionalizada será abordada em uma matéria específica, citando propostas para a região Oeste do Estado.

Por fim, a renovação da concessão das malhas ferroviárias possibilitará maior largueza de investimentos, com mais segurança jurídica e um planejamento de longo prazo que buscará, dentre outros benefícios, maior eficiência e o resgate da dignidade e da valorização da memória deste meio de transporte que, em um passado não tão distante, foi respeitável instituição sempre presente na vida dos brasileiros e que, por sucessivas gestões públicas e privadas equivocadas, foi desmerecido e esquecido, devendo ser novamente valorizado.

 

Sergio Feijão Filho, 59 anos, é diretor da Associação de Preservação da Memória Ferroviária, que em dezembro de 2018 comemorará 34 anos de existência, e da Associação de Preservação das Tradições Ferroviárias; integrou a Fepasa e foi Conselheiro Fiscal da Rede Ferroviária Federal S.A. e Conselheiro de Administração da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo - Ceagesp (2011-2018), atuando, também, como conselheiro independente e consultor de logística.

 

 

 

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