NOS TRILHOS DA HISTÓRIA: As origens do ferroviarismo genuinamente paulista

December 15, 2018

 

A Locomotiva a Vapor n° 1, em 1922, nas Oficinas de Jundiaí. Ela e uma sua irmã tracionaram o trem especial que abriu ao tráfego público a Estrada de Ferro de Jundiahy a Campinas (a n° 1, ícone do Ferroviarismo Paulista, se encontra recolhida no Museu Ferroviário de Jundiaí, necessitando urgentemente de restauração)

 

 

Corria o ano de 1868, e dois fatos marcaram o início do ferroviarismo paulista: a constituição da COMPANHIA PAULISTA DA ESTRADA DE FERRO DE JUNDIAHY A CAMPINAS, em janeiro, e a concessão, pelo Governo Geral, da carta de incorporação da Companhia, em novembro do mesmo ano. Como se observa, uma de nossas tradições que se mantém refinada até hoje é a burocracia e a morosidade das autoridades!

Vencido os percalços que se lhe antolhavam, a PAULISTA já tinha alguns obstáculos removidos, além da hábil retirada do objeto (o prolongamento da linha à Campinas) das mãos inglesas, promovida por Saldanha Marinho, e a incorporação definitiva da sociedade por ações e a assinatura do contrato de concessão provincial para a construção, uso e gozo da Estrada de Ferro de Jundiahy a Campinas. Um despacho do Ministro da Agricultura entendia que a concessão seria provincial e não geral. Esse fato, o da concessão ferroviária provincial, seria inédito no Império, pois, por ser unitário o Estado e a descentralização do poder um sonho ainda distante, todas as concessões ferroviárias até então eram expedidas pelo Poder Geral.

 

 Da esquerda para direita: Conselheiro Saldanha Marinho, o Fundador, e Clemente Falcão de Souza Filho (em tela de Almeida Júnior), primeiro presidente da PAULISTA e continuador da grande obra que tanto honrou São Paulo e os paulistas

 

Assinado, em 1869, o Contrato para a construção da linha entre Jundiaí e Campinas e aprovado pela presidência da Província o seu projeto, o início das obras se deu em 1870 e, em 1872, a linha estava sendo ultimada até Campinas, quando em 11 de agosto se deu, solenemente, a inauguração da Estrada até Campinas. O tão esperado acontecimento foi comemorado pela população campineira por vários dias.

No dia da inauguração, dois vultos se destacavam, o do pernambucano Saldanha Marinho, o grande iniciador da ideia, e o do paulista Clemente Falcão de Souza Filho, primeiro presidente da Companhia e continuador da relevante iniciativa.

A linha, com 45 quilômetros de extensão, contava com as Estações de Capivary (Louveira), Caxoeira (Vinhedo), Vallinhos e Campinas.

 

                                                                               A Estação de Campinas em 1872

 

O alemão Max Mundt foi o primeiro Chefe da Estação de Campinas, exercendo, também, a chefia do tráfego da então pequena linha que, no futuro, integraria uma poderosa malha que adquiriria notabilidade internacional, por sua impecável administração e metódica operação.

No início da sua jornada, a PAULISTA, a exemplo de Max Mundt, entregou os principais postos operacionais da Companhia à gerência de estrangeiros que, por sua experiência, trouxeram o indispensável conhecimento e a preciosa prática àquela que reinaria durante décadas como a mais impecável das Estradas deste hemisfério.

 

Na sequência, continuaremos com a jornada da PAULISTA em demanda do Norte e do Oeste.

 

 

Sergio Feijão Filho, 59 anos, é diretor da Associação de Preservação da Memória Ferroviária, que em dezembro de 2018 comemorará 34 anos de existência, e da Associação de Preservação das Tradições Ferroviárias; integrou a Fepasa e foi Conselheiro Fiscal da Rede Ferroviária Federal S.A. e Conselheiro de Administração da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo - Ceagesp (2011-2018), atuando, também, como conselheiro independente e consultor de logística. Escreve especialmente para a JORNAL DO POVO 

 

 

 

 

 

 

 

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