NOS TRILHOS DA HISTÓRIA: Inauguração do Ramal de Agudos a Marília completa 90 anos, neste domingo

December 28, 2018

 

 

Em virtude da passagem do 90° aniversário da inauguração ao tráfego público do prolongamento do Ramal de Agudos à Marília, a ocorrer no próximo dia 30 de dezembro, gostaria de abrir um espaço e, rapidamente, lembrar da passagem desta efeméride que tem um sentido especial para esta Cidade.

Em rápida síntese, o desenvolvimento ferroviário em demanda das vertentes do Rio Tibiriçá, nasceu do Decreto Estadual n°373/1896 que concedeu, com base na Lei n° 30/1892, à COMPANHIA PAULISTA DE VIAS FERREAS E FLUVIAES, o direito, uso e gozo de uma estrada de ferro em bitola métrica que, a partir de Dois Córregos, correndo pela Serra do Banharão e atravessando o Tiete, em Pederneiras, passando por São Paulo dos Agudos (Agudos) e o Vale do Rio Batalha, chegasse a Bauru.

 

                                   A entrada do trem inaugural no Ramal Agudos a Marília

 

Desde então a PAULISTA buscou presteza na corrida para Bauru, visto ser esse, também, o propósito de sua congênere a UNIÃO SOROCABANA-YTUANA, ou SOROCABYTUANA!

Políticas a parte, coube a segunda, no entanto, atingir Bauru primeiro, uma vez que o Governo do Estado não permitiu que a PAULISTA ali chegasse, fazendo com que o destino final da linha, concedida em 1896, fosse alterado para Piratininga, a pouca distância do futuro entroncamento com a NOROESTE DO BRASIL.

Tendo chegado a Piratininga em 1905, 120 quilômetros adiante de Dois Córregos, em 1924 atingiria Cabrália e no ano seguinte Duartina (40 quilômetros adiante de Piratininga).

A arrancada final para o Alto Cafezal, acabou acontecendo entre 1927/1928, inaugurando-se Garça em 1/1/1928 e Marília, finalmente em 30/12/1928 (Km 234).

No entanto, a exploração da região já se encontrava em São Luiz (Iacri), visando, no futuro, atingir as barrancas do Paraná, o que de fato somente ocorreu em princípio de 1962, quando se inaugurou a linha em bitola larga até Panorama.

Marília presenciou, a 90 anos atrás, a abertura do tráfego público de sua Estação. Em agosto de 1954, a chegada do primeiro trem de bitola larga, eventos estes marcados por festas e efervescência (interesse) popular, uma vez que era a manifestação do progresso tocando a região. Contudo, em perturbador silêncio, no final dos anos 90, com a inexplicável e impatriótica suspensão do tráfego ferroviário em geral, se deu conta do abandono a que se relegou um tronco estrurador!

Espera-se que, agora, com a RUMO, e com a renovação da concessão, se possa apostar na retomada ferroviária na Alta Paulista e o eco do pioneiro silvo da Locomotiva da COMPANHIA PAULISTA que tracionou o trem inaugural, trazendo o sopro do progresso a Marília possa ser revivido, sob o signo da coragem e intrepidez da iniciativa privada guiada, como sempre, pelo bom-senso geral!

Viva a estrada de ferro!

 

Em tempo, a todos que seguem esta coluna, votos de um bom 2019 do autor!

 

Sergio Feijão Filho, 59 anos, diretor da Associação de Preservação da Memória Ferroviária, escreve no JORNAL DO POVO, temas relacionados à ferrovia, inclusive sobre os trâmites para o possível retorno dos trens de cargas e passageiros pela malha ferroviária

que passa por Marília

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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