Prédio da CMN está à venda por R$ 2,9 milhões. Veja a história desse cadáver insepulto que foi cenário de intrigas políticas, processos judiciais, incêndio e outros rolos

January 26, 2019

 

O prédio onde funcionava a CMN (Central Marília Notícias - Jornal Diário de Marília e as Rádios Dirceu AM e Diário FM.), na Rua Coronel Galdino de Almeida (centro da cidade) e nos últimos 14 anos foi cenário de denúncias, brigas, processos judiciais, intrigas políticas e outros rolos, está à venda. O valor pedido é de R$ 2,9 milhões. Os interessados podem, inclusive, adentrar o imóvel para, que até recentemente estava lacrado pela Polícia Federal.

O comprador do imóvel certamente vai retirar os letreiros da fachada, o que colocará fim, pelo menos visualmente, a um dos pontos mais visados das câmeras de fotógrafos e cinegrafistas que cobrem os desdobramentos da lacração do Jornal Diário de Marília (a mando da Justiça Federal), na manhã do dia 24 de janeiro de 2017. As rádios foram lacradas em agosto de 2016. O era fruto de uma fusão (em 1992) com o extinto jornal do Correio de Marília (fundado em 1928). 

Deve desaparecer a fachada, mas as demandas judiciais continuam nos âmbitos estadual e federal  E não são poucas!

 

DESPEJO

 

Em dezembro passado, a  juíza da 5ª Vara Cível do Fórum de Marília, Ângela Martinez Heinrich, concedeu ordem de despejo para os refugos da CMN. A ação de despejo foi movida pela proprietária do imóvel, Elza Lopes Arquer (ex-mulher do ex-proprietário dos veículos de comunicação e do referido prédio, Juan Arquer Rúbio). As dívidas com alugueis passam de R$ 200 mil e têm como devedores Sandra Mara Norbiato, Carlos Francisco Cardoso e Renata Baldissera Cardoso. 

No mandado expedido,  a magistrada autorizou a proprietária do imóvel a retirar por meios próprios e dar fim a tudo que estiver dentro do prédio, exceto arquivos de jornais e fotos, solicitados pela Câmara Municipal (destinados à consultas da Comissão dos Registros Históricos) 

Nesse aspecto, o acervo dos jornais, instalado no térreo do prédio de dois andares, virou uma espécie de empastelamento, com muitas encadernações dilaceradas, rasgadas e corroídas pelas infiltrações no local. Já o "arquivo" de fotos de papel nada mais é que um amontoado todo revirado e pisoteado em um cômodo no mesmo pavimento. Ambos os espaços fétidos e invadidos por ratos e ratazanas. 

A Casa Sol (que através do empresário Daniel Alonso -atual prefeito-  moveu e ganhou uma Ação por danos morais contra o Jornal Diário) havia entrado como terceira interessada no processo e requerido a guarda de bens da CMN. Mas os advogados da empresa requerente renunciaram ao pedido. 

O maior bem material da extinta CMN é uma impressora alemã importada por Arquer Rúbio, no início da década de 90. A impressora, desde 2014, era eventualmente usada, já que o Diário havia "assumido" a gráfica do falido jornal Correio Mariliense. 

 

O CADÁVER INSEPULTO DA CMN.

NINGUÉM SAIU FELIZ DE LÁ!

 

       

O que um dia já foi considerado um império de comunicação em Marília, hoje é o espectro de um castelo mal-assombrado em pleno centro da cidade. Enquanto seguem as demandas pelos tribunais de Justiça e as intrigas e litigâncias mal-resolvidas que reúne uma casta de personagens nada recomendáveis, a dona do prédio número 55 da Rua Coronel Galdino de Almeida (onde segundo historiadores já foi um cemitério indígena), tenta ao menos retomar a posse do imóvel.

Após a lacração do prédio pela Polícia Federal (a mando da Justiça) em 24 de janeiro de 2017, o local foi se deteriorando. Atualmente, as poucas pessoas autorizadas a entrar lá se deparam logo na portaria com um amontoado de correspondências vencidas e empoeiradas, em meio à contas de água e luz nas mesmas circunstâncias.

Mesmo quando em funcionamento, era comum a circulação de ratazanas (animais, mesmo!) lá dentro, oriundas também de prédios vizinhos que estavam abandonados (já demolidos).

O mal-cheiro é a "essência" de um cenário de abandono e assustador. Um ambiente carregado, pesado, pela forma como chegou ao fim.

Aliás, ninguém (leia-se proprietários e "cia") saiu feliz daquele prédio. 

O empresário já falecido Juan Arquer Rúbio (que deixou o prédio como herança) comprou o Jornal Diário no início da década de 90 e se deu mal, com fracassos na linha política do jornal e das rádios da CMN, além de prejuízos financeiros 

Ele "passou" a bomba para o também já falecido empresário Antonio Marangão, que depois "transferiu" tudo  para o maquiavélico bancário aposentado Cardoso (Carlos Francisco) e a esposa dele, a médica Renata Baldissera Cardoso.

Cardoso saiu com a pecha de traidor dos "dois lados" que representava (Camarinha e Zé Ursílio). Entre os rolos que carrega nas costas (apesar da via nababesca que levou enquanto esteve lá) se lascou como fiador do aluguel do prédio que ora é alvo e uma ação de cobrança cumulada com despejo, que tramita pela 5ª Vara Cível do Fórum de Marília. Ele e a esposa figuram como fiadores e executados do débito, de cerca de R$ 200 mil. Nos autos, consta até a Casa Sol (do prefeito Daniel Alonso), como terceiro interessado. 

Marangão saiu "atirando", quase que literalmente com a 380 que costumava carregar em uma maleta preta. Zé Ursílio, que posava de "dono", também de lascou! Levou um balão do Cardoso, foi enxotado pra fora da empresa com um pé no traseiro, saiu feito barata tonta, perdeu dinheiro, perdeu bens e carrega uma lista de processos em andamento e ,já cumpriu prisão domiciliar. 

A última "sucessora", Sandra Mara Norbiato, é o mais recente exemplo do lastro de fiascos e prejuízos daqueles que um dia foram "executivos" do Jornal Diário e das Rádios Dirceu AM e Diário FM, que formavam a tal CMN (Central Marília Notícias), criada no início da década de 90 por Arquer Rúbio. Uma espécie da poderosa CNN americana.

Sandra, que poucas vezes pisou naquele prédio, não recebeu o que prometeram, caiu nas garras da Federal e se viu obrigada a fazer uma delação premiada para amenizar o chicote em seu lombo.

Paralelo a tudo isso, dezenas de funcionários ficaram do dia para a noite no olho da rua, sem receber seus salários e direitos trabalhistas. 

Enfim, o que restou de tudo isso (sem contar o desastroso incêndio, em setembro de 2005, atentados e etc.) é o que certamente, em breve, vai virar entulho. 

Um desfecho que a Justiça já deixou nas mãos da proprietária, ao lhe conceder a imissão de posse do prédio e sua desocupação, inclusive com arrombamento e reforço policial, se necessários. Veja o despacho:

A dona do prédio conseguiu a liberação do mesmo, mas, conforme decisão judicial, teve que providenciar a retirada de sucatas, móveis, equipamentos e maquinários do prédio (como uma imensa impressora Alemã que, removida, também vai virar sucata), caixas e mais caixas de equipamentos de estúdios de rádios. Ela ficará como fiel depositária de todo esse trambolho. 

Tá difícil enterrar esse cadáver!

 

                           Viaturas da Polícia Federal durante lacração na CMN

 

 

 

 

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