Justiça Federal autoriza famílias a cultivar maconha para fins medicinais, em Marília. Crianças especiais usam o canabidiol, extraído da planta

     Cláudia Castelazi, mãe de Matheus, que faz uso do canabidiol para tratamento (Reprodução G1)


O juiz federal Luiz Antonio Ribeiro Marins, da 2ª Vara Federal de Marília, autorizou em liminar duas mães de crianças especiais a importar, cultivar e extrair sementes de cannabis sativa (a popular maconha) para fins de tratamento dos filhos, com a extração do canabidiol. As crianças têm problemas neurológicos, como epilepsia. Apesar de extraído da maconha, o remédio não causa dependência e o uso e indicado apenas nos casos mais graves da doença, como último recurso.

As crianças beneficiadas com a medida já têm autorização da Anvisa para importar o canabidiol sintético, via serviço público. Mas, diante das dificuldades de obter o produto, as mães recorreram á Justiça para agilizar o processo, uma vez que o tratamento é de alto custo.

"A busca pelo desenvolvimento caseiro do remédio é a alternativa viável", citou o juiz na decisão, diante "da comprovação da eficácia do canabidiol para a melhora do quadro patológico e da qualidade de vida".

A esteticista Cláudia Marin Castelazi, mãe do garoto Mateus Castelazi, de 11 anos, que tem síndrome de West (uma forma grave de epilepsia) é uma das beneficiadas com a decisão judicial. “As crises dele começaram a diminuir. Aumentou a imunidade e ele parou de ficar doente", disse ela, sobre o uso do canabidiol.

Mateus toma duas vezes por dia o canabidiol. O remédio é importado e ajuda a controlar as crises de convulsão. O problema é que o medicamento ainda não foi registrado na Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e como não é produzido no Brasil, a importação das seringas custa de R$ 800 a R$ 1 mil cada uma, o suficiente por apenas um mês.

"O Estado parou o fornecimento em 2016 e quando acabou o estoque tivemos que iniciar a busca por conta própria", relatou Cláudia Marin, na Ação. Com a autorização judicial, as mães, agora, deverão providenciar os meios para adquirir a planta para o s fins medicinais. 

AÇÃO DO MPF

Uma ação movida pelo procurador federal Jefferson Aparecido Dias, já havia obrigado o Estado e a União a fornecerem gratuitamente o canabidiol  para tratamento de pacientes na cidade. Em 2016, o Estado deixou de fornecer o medicamento.

“Como a constituição garante saúde a todos, inclusive a fornecimento de medicamentos.  A opção que nós temos é buscar junto ao judiciário a condenação que a União e o Estado forneçam esse medicamento para que essas crianças  possam ter uma condição de vida mais adequada”, explicou o procurador.

A médica neuropediatra Cristiane Bazzo confirma que o tratamento garante mais qualidade de vida aos pacientes e sem efeitos colaterais. “A gente percebe uma melhora importante nas crises convulsivas, no desenvolvimento de uma maneira geral, na fala, na parte motora, e do cognitivo”, afirma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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