"Viveu como soldado e morreu como soldado", diz comandante-geral da PM, sobre policial morto com tiro de fuzil em confronto com quadrilha, na região

Corpo de Marcelo Gardinal (no detalhe) chegou ao Cemitério de Dois Córregos em uma viatura

do Corpo de Bombeiros

 

Dois Córregos - A morte do cabo da Polícia Militar (PM) Marcelo Reinaldo Gardinal, aos 43 anos, atingido com tiros de fuzil durante confronto com criminosos ocorrido no final da noite da última segunda-feira (18), próximo ao trevo de acesso a Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru), abalou a população do município onde ele trabalhava e vivia com a família.
No enterro dele, em discurso emocionado, o comandante-geral da PM no Estado, coronel Marcelo Vieira Salles, destacou a coragem do policial: "Ele viveu como soldado e morreu como soldado". Até o fechamento desta edição, os autores dos disparos não haviam sido identificados.

Além de familiares e amigos, policiais civis e militares de toda região e membros da cúpula da PM foram até o velório municipal de Dois Córregos para se despedir do cabo Gardinal, que era casado e deixa um filho de dois anos.

'Eu só tenho referências boas dele', disse o capitão Bruno de Oliveira

Magda, tia de Marcelo, diz que o sobrinho morreu fazendo o que mais gostava

"Eu só tenho referências boas dele. Era, dentro da instituição, excelente profissional. Tinha praticamente 18 anos de serviço. É um policial que já havia recebido medalhas, elogios, foi eleito como policial do mês na nossa companhia. E era uma pessoa de um bom convívio entre nós", declarou o capitão Bruno de Oliveira, comandante da 2.ª Companhia da PM, responsável por Dois Córregos.

Para a tia do policial Magda Romero, que era chamada carinhosamente por ele de "Tata", os dias nunca mais serão os mesmos sem a presença do sobrinho que ajudou a criar desde criança. "Ele me mandava mensagem todo dia. Para mim, ele era como um filho", conta.

"O Marcelo optou por essa profissão que sempre gostou. O pai dele foi policial, o irmão dele é policial. Ele sempre trabalhou e sempre foi honesto". Magda acredita que o sobrinho não imaginou que o veículo em fuga era ocupado por criminosos armados. "Ele achou que era apenas um carro suspeito", afirma. "E morreu fazendo o que ele gostava".

Enterrado com honras militares, o cabo Gardinal, como era conhecido na corporação, recebeu uma série de homenagens durante a cerimônia militar de sepultamento, celebrada pelo pastor Sérgio. "Perdemos um policial em combate, perdemos um amigo e perdemos um familiar. Que, ao sepultar um policial que morreu em combate, a gente não sepulte nossa esperança", disse o religioso.

"É preciso somar forças para que os ânimos e a coragem sejam resgatados", complementou o comandante do 27.º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), com sede em Jaú, tenente coronel Luiz Gustavo Toaldo Pistori.

 

                                    Mãe do policial precisou ser amparada na saída do velório

 

PERSEGUIÇÃO E CONFRONTO

O cabo Marcelo Gardinal foi atingido por disparos de fuzil na cabeça, no braço e na perna ao apoiar uma equipe da PM de Mineiros do Tietê que perseguia criminosos em fuga.

Cerimônia de sepultamento do policial foi marcada por honras militares

Segundo registro policial, durante fiscalização na entrada de Mineiros do Tietê, os dois policiais de serviço perceberam aproximação de um Sportage prata e uma Hilux preta. Os motoristas dos dois veículos retornaram quando viram a viatura e seguiram pela rodovia Deputado Amauri Barroso de Souza (SP-304) em direção a Dois Córregos.

A equipe iniciou o acompanhamento e solicitou apoio de policiais do município vizinho para tentar abordar os ocupantes do Sportage e da Hilux. A viatura conduzida por Gardinal cruzou com os suspeitos próximo ao trevo de acesso a Dois Córregos, na altura do quilômetro 271. Quando o cabo tentou retornar para ajudar na perseguição, de acordo com o registro policial, os ocupantes dos veículos desceram e passaram a atirar com fuzis na direção da viatura. A equipe de Mineiros do Tietê também foi alvo de disparos.

Os policiais militares, que portavam pistolas e carabinas, tentaram revidar ao ataque, ao mesmo tempo em que buscavam se proteger dos criminosos. Gardinal acabou atingido por três disparos e chegou a ser socorrido pela ambulância da cidade, mas morreu a caminho da Santa Casa. Os demais policiais não se feriram. No local do confronto, foram recolhidas dezenas de cápsulas deflagradas de munições de calibres .556 e .762, que serão encaminhadas para exames periciais.

INVESTIGAÇÕES

O caso será investigado pela Delegacia de Dois Córregos, com apoio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú. Segundo o delegado titular da especializada, Marcelo Aparecido Tomaz Goes, até o fim da noite dessa terça-feira (19) ninguém havia sido preso. A principal suspeita da Polícia Civil é de que os criminosos estariam planejando um ataque a caixas eletrônicos na região. Quem tiver informações que possam ajudar na identificação dos autores do crime pode entrar em contato com a PM pelo 190 ou com a Polícia Civil, pelo 197.

 

 

 

 

 

 

 

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