LATROCÍNIO: Relacionamento amoroso, facadas, fogo no corpo, festa em Bauru e frieza nos depoimentos. Detalhes do caso Jair Viveiros são revelados pela DIG

March 8, 2019

 Delegado titular da DIG, Valdir Tramontini: ação eficiente, prisões dos autores 

e esclarecimentos rápidos do latrocínio contra o empresário Jair Viveiros 

 

Comunicado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), na tarde desta sexta-feira (8), informou mais detalhes sobre o latrocínio cometido por três menores contra o empresário Jair Viveiros, de 63 anos, no sábado passado.

“O crime foi cometido por três adolescentes, sendo um mais velho de 16 anos, completados na véspera do caso, um de idade intermediária de 15 anos e 10 meses, e um mais novo de 15 anos e 08 meses, não sendo constatada, até o presente momento, a participação de outros autores”,cita a Nota.

"Os autores disseram estar arrependidos, mas não demonstraram isso na frieza dos depoimentos", disse ao JP o delegado titular da DIG, Valdir Tramontini. 

A DIG esclareceu ainda que haveria um possível relacionamento entre a vítima, que era homossexual, e o adolescente mais velho. inclusive com mensagens com conteúdo íntimo trocadas entre eles.

No dia do crime, o adolescente mais velho efetuou duas breves ligações para a vítima, pedindo para abrir o portão eletrônico.

“Com o acesso ao imóvel liberado, nele entraram apenas os dois adolescentes mais velhos, enquanto o mais novo permaneceu do lado de fora, provavelmente observando eventual aproximação de terceiros. Dentro da casa, a vítima foi atingida com golpes de faca, desferidos pelos dois adolescentes que lá ingressaram”, explicou o delegado Tramontini.

Com a vítima morta, o adolescente mais novo também entrou na casa e auxiliou os outros dois a enrolarem o corpo de Jair em um cobertor. O empresário foi colocado no porta malas do veículo Ecosport, estacionado na garagem e foi conduzido pelo menor mais velho até um cafezal próximo a Vera Cruz. Lá, colocaram fogo no corpo. 

                                             Jair Viveiros era dono na Boate Fênix Club

 

“Os três adolescentes foram para suas casas, trocaram de roupas, e algum tempo depois, seguiram no próprio veículo de Jair para Bauru, onde gastaram cerca de R$ 1.100,00 em dinheiro que haviam roubado da vítima com comidas, bebidas e maconha”, cita a Nota da DIG.

Os criminosos retornaram de Bauru e ainda foram em alguns outro locais, antes de irem para suas casas. O veículo foi localizado apenas no início da tarde do domingo, dia 3 de março, na Rua Floriano Soares de Araújo, no Parque das Vivendas, zona Oeste de Marília.

“Através de diligências realizadas por policias civis desta especializada, foi identificado e localizado o mais velho dos adolescentes, morador naquela região, o qual de pronto confessou sua participação no crime, indicando onde residiam os outros dois, e nos conduzindo até o local onde se encontrava o corpo de Jair, já totalmente carbonizado”, relata a Nota da DIG. 

A faca utilizada no crime, com cerca de 12 centímetros de lâmina, foi apreendida por policiais no interior do veículo da vítima. Exame necroscópico indicou que o empresário faleceu pelo “choque hipovolêmico devido ferimentos pérfuro-cortantes”.

“Todos confessaram envolvimento no crime, sem que, em qualquer momento, demonstrassem efetivo arrependimento”, informou o delegado. 

Além de R$ 1.100,00 em dinheiro roubados, foram encontrados no carro uma televisão, um ferro de passar roupas, um aparelho de som e um notebook. Os criminosos alegaram que estes objetos já estavam anteriormente no automóvel.

“Embora já tivesse um possível relacionamento com Jair, o adolescente mais velho alegou que a vítima quis obrigar ele e outro menor a praticarem sexo juntos. Esta versão não foi confirmada por nenhum dos outros dois adolescentes” informou a Nota. 

O adolescente mais velho ainda acusou o de idade intermediária de desferir os golpes de faca contra a vítima, mas este último relatou que os primeiro golpes foram realizados justamente pelo menor de 16 anos, e que ele “apenas terminou o serviço porque a vítima estava sofrendo”.

“Houve muitas divergências nas alegações dos três adolescentes, acerca dos motivos pelos quais foram à casa da vítima. Ouvimos sobre oferecimento de emprego, cobrança de dinheiro devido e até pegar dinheiro com um amigo. Tudo isso em evidente tentativa de negar a verdadeira motivação pela qual foram ao local dos fatos, ou seja, a prática de crime patrimonial”.

Os três menores foram representados pela prática de atos infracionais de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação/destruição de cadáver, com audiência já designada para o próximo dia 13 de março.

“Por fim, salienta-se que, em caso de comprovação da participação dos adolescentes em hediondo crime, nos termos do artigo 121 do E.C.A. ‘em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos’, restando perguntar, após, exaustivo trabalho de investigação, ‘é o justo?!", cita o delegado, na Nota.

 

 

 

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