Mobilização cresce e greve dos servidores municipais entra no segundo dia, em Bauru

O primeiro dia de greve dos servidores públicos municipais contou com a adesão de cerca de 500 trabalhadores, de acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), no começo da noite desta terça-feira (26). Já a prefeitura estimou em 340 adesões, mas divulgou apenas uma parcial no período da manhã. A Emdurb e a Secretaria de Educação tiveram mais adesões, o que prejudicou a coleta de lixo no período da manhã, e algumas escolas tiveram paralisações parciais.

O diretor do Sinserm Moisés Cristo acredita em mais adesões a partir de hoje, no segundo dia de greve. "No primeiro dia é normal um movimento menor, crescendo depois, com mais pessoas aderindo. As propostas até agora ficaram longe do que a categoria pediu, e a tendência é de uma maior mobilização da categoria", afirma. Nessa terça-feira (26) de manhã, a concentração dos servidores foi em frente ao sindicato, e depois uma passeata aconteceu até a Emdurb, onde foi realizado um protesto contra o presidente da Emdurb, Elizeu Eclair.

Ao todo, são cerca de 7.500 servidores ativos, sendo aproximadamente 6.000 na prefeitura, mais de 700 no DAE, 800 na Emdurb e 45 na Funprev. O município conta ainda com cerca de 3.000 servidores inativos, entre aposentados e pensionistas. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) diz que espera uma contraproposta da categoria para apresentar outra oferta, mas que há pouca margem para mudar o que já foi apresentado. "Ainda estamos esperando uma posição dos servidores, dependendo é possível alterar dentro do que apresentamos, como ter um percentual menor e um abono maior, entre outros", comenta.

COLETORES

A Emdurb apresentou uma nova proposta aos servidores ontem à noite, e parte da coleta de lixo já foi retomada. Nessa terça-feira (26), durante o período da manhã, 78 servidores da empresa municipal tinham aderido ao movimento de greve e apenas cinco dos 14 setores da coleta de lixo orgânico tiveram os resíduos recolhidos de manhã - a definição das regiões atendidas foi através de sorteio - enquanto no período da tarde a coleta foi feita nos três setores previstos. Já no período da noite, os 11 setores atendidos estavam com o serviço acontecendo de maneira normal.

Hoje, às 7h, os coletores que atuam no período da manhã devem definir se continuarão paralisados ou se retornam. Ao todo, foram 40 coletores de lixo em greve, e ainda 20 servidores da capinação, 14 agentes de trânsito e quatro dos cemitérios. A coleta seletiva teve apenas um dos três setores da manhã dessa terça (26) atendido.

O presidente da Emdurb, Elizeu Eclair, diz que a nova proposta é de um abono de R$ 100,00, como na primeira oferta feita pela empresa, mas o vale-compra passa de R$ 451,00 para R$ 500,00. Antes, o aumento apresentado era para R$ 485,00. Esse reajuste fica acima da inflação para a maioria dos servidores, afirma o presidente.

A perspectiva na Emdurb é que, ainda hoje, o movimento de greve seja reduzido na empresa municipal, pois os coletores da noite resolveram manter o trabalho, nessa terça-feira (26), após a apresentação da proposta, e a empresa acredita que o mesmo pode ocorrer hoje com os demais servidores da coleta e de outras áreas de atuação. "Para boa parte, representa um ganho significativo acima da inflação acumulada, tanto que no período da noite, todas as equipes já retomaram as atividades, e agora estamos aguardando como ficará na parte da manhã, já que são outros trabalhadores. A proposta está dentro do nosso Orçamento, naquilo que a Emdurb tem como previsão de arrecadação e com os contratos da prefeitura, mais do que isso não conseguimos avançar", disse.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) afirma que não foi comunicado oficialmente da nova proposta, e que os valores deveriam ser iguais para todos os trabalhadores. "O sindicato entende que essa política da Emdurb, negociando em separado, é uma forma de o governo desmobilizar a categoria. A nossa campanha é única, portanto as propostas deveriam ser as mesmas, e não tentando jogar um grupo de funcionários contra outros", frisa.

EDUCAÇÃO

Além da coleta de lixo, que ficou prejudicada na manhã dessa terça-feira (26), aconteceram paralisações parciais em escolas de educação infantil. De acordo com a prefeitura, 175 servidores da Educação aderiram ao movimento no período da manhã, comprometendo o atendimento em 19 das 65 unidades. Já no ensino fundamental, nenhum escola tinha parado.

Na Saúde, 33 servidores da rede básica aderiram. Também foram registradas adesões de 11 servidores da Secretaria de Bem Estar Social (Sebes), nove da Obras, três da Finanças, dois do Meio Ambiente (Semma), um da Cultura, e 40 do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ainda segundo a prefeitura, não houve adesões de servidores das Secretarias de Administração, Administrações Regionais (Sear), Agricultura e Abastecimento (Sagra), Desenvolvimento Econômico, Esportes e Lazer (Semel), Gabinete, Negócios Jurídicos, Planejamento (Seplan), e na Funprev.

Prefeito banca permanência de Eclair

Diferentemente das propostas do Sinserm em movimentos dos anos anteriores, neste ano o sindicato oficializou no documento o pedido da saída de Elizeu Eclair Teixeira Borges da presidência da Emdurb. Ao JC, Eclair garantiu que não pretende sair do cargo. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) também banca a permanência do atual presidente da empresa. "Se toda pressão que a gente tiver de alguns grupos resolver trocar secretário, o prefeito não vai governar. O Eclair continua na Emdurb, não pretendo mudar", afirmou.

Pedido do sindicato e proposta do governo

Na campanha salarial, o Sinserm pediu a reposição da inflação, ganho real e reparação de perdas em anos anteriores. A prefeitura ofereceu reajuste de 2% a todos os servidores, incorporação como vantagem pessoal do abono de R$ 70,00 concedido ano passado, e mais uma vantagem pessoal de R$ 60,00 para quem recebe até R$ 2.600,00. O vale-compra subiria de R$ 451,00 para R$ 468,54, e o abono (antigo vale-refeição) de R$ 360,00 para R$ 374,00. O impacto estimado pela prefeitura caso todos os pedidos da categoria fossem atendidos era de R$ 90 milhões por ano, enquanto o da proposta apresentada é de R$ 8 milhões. O município fechou o ano passado com despesa de pessoal em 49,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), e o limite prudencial é de 51,3% da RCL. O governo afirma que com o reajuste oferecido já ficará perto desse índice e, portanto, ficaria complicado avançar mais.

 

 

 

 

 

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