Presidente do Ipremm diz que órgão está indo "ladeira abaixo". Secretário de Governo anuncia "colapso assustador" e diz que "o Instituto vai quebrar"

May 29, 2019

             

                                Mônica da Silva, presidente do Ipremm: "ladeira abaixo" 

 

Em audiência pública na Câmara Municipal, na tarde desta quarta-feira (29) a presidente do Ipremm (Instituto de Previdência do Município de Marília), Mônica da Silva, disse que o órgão está "indo ladeira abaixo".

Apontou como o principal problema o déficit entre pagamentos e contribuições de aposentadorias, em relação aos servidores mais antigos. "Esses mais antigos avançam nas contribuições dos mais novos e isso não é justo", observou. Ela disse que o Ipremm indicará "algumas medidas" (não citou quais) para "ajustar" esta situação. 

"SE NÃO HOUVER REFORMAS NÃO HAVERÁ DINHEIRO"

Sobre o cálculo atuarial, a presidente do Ipremm disse que o Instituto necessitaria de R$ 2,4 bilhões para finalizar os pagamentos de aposentadorias e pensões de todos os 7.282 servidores municipais até 2039.

"Precisamos de meios de capitalização para essa projeção", disse ela, sugerindo reformas no sistema do Ipremm. Ela apelou aos vereadores para terem "responsabilidade nas propostas e aprovações de concessões de benefícios salariais para os servidores. As concessões de benefícios sem estudos é nefasta".

Observou as quedas de patrimônios e repasses do órgão e que nos primeiros quatro meses deste ano o Instituto teve aumento de cerca de 13% ou quase R$ 1 milhão na folha de pagamento, incluindo o reajuste salarial de 5% aos servidores. "Precisamos de R$ 20 milhões no caixa hoje. Nem tenho coragem de passar isso ao prefeito", disse Mônica. O caixa do Ipremm hoje tem cerca de R$ 16 milhões. "Se não houver reformas, não haverá dinheiro para pagar os servidores ativos e nem os inativos".

Ela afirmou que o Ipremm tem R$ 280 milhões (dívidas da Prefeitura) "de uma massa falida". Mônica disse que a Prefeitura deveria repassar atualmente R$ 9,3 milhões mensais para o Ipremm. Hoje, o repasse é de cerca de R$ 2 milhões.

A dívida atual da Prefeitura com o Ipremm é de cerca de R$ 90 milhões (entre aportes repasses patronais). Os pagamentos de parcelamentos de dívidas de cerca de R$ 200 milhões deixadas por gestões passadas estão em dia. O último parcelamento de dívidas foi aprovado pela Câmara Municipal em dezembro de 2016, último ano da gestão de Vinícius Camarinha. 

O diretor financeiro do órgão, Fabiano Monteiro, mostrou que os valores de pagamentos de aposentadorias e pensões aumentaram cerca de R$ 900 mil apenas entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018. "Assustador! Uma angústia constante que se agrava a cada dia", comentou. 

"O INSTITUTO VAI QUEBRAR"

O secretário de Governo da Prefeitura, Alysson Alex de Souza e Silva, participou da audiência e também fez previsões terroristas. "O colapso está à porta e o Instituto vai quebrar em três anos. Isso é uma realidade, vai quebrar e é assustador". Ele comparou o Ipremm à uma pirâmide  que está tombando a cada ano.

Comparando as finanças do órgão a "cobertor de pobre", ele sugeriu a criação "para ontem" de uma comissão para estudar o colapso do Ipremm "e pensar uma reforma geral no órgão". Em dezembro de 2016 a folha de pagamento mensal do Ipremm era de cerca de R$ 6 milhões e hoje está em torno de R$ 9 milhões. "Estamos vivendo nesta gestão o pior momento da economia, com frustração de receitas e aumento de despesas", disse o secretário. "Com esses números apresentados pela presidente do Ipremm confesso que entrei em choque", disse Alysson. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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