Delegado alerta sobre cuidados para não cair em golpes do cartão e celular clonado. Veja relatos de casos em Marília onde vítimas perderam muitos bens e dinheiro

January 10, 2020

                        Delegado chefe da CPJ, dr. José Carlos Costa, alerta sobre golpes 

 

O delegado chefe da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília, dr. José Carlos Costa, disse ao JP que as pessoas devem ficar atentas ao receberem mensagens via whatsapp ou ligações pedindo dinheiro para determinadas situações.

"Ao receber qualquer mensagem pedindo dinheiro, depósitos em contas ou similares, a pessoa deve checar bem com amigos ou familiares para saber se realmente é verdade, se aconteceu de fato alguma coisa. Ao receber as mensagens ou ligações, as pessoas naturalmente ficam nervosas, mas não devem depositar ou transferir nenhum dinheiro ou passar dados pessoais antes de verificar a verdade das mensagens recebidas", alertou o delegado.

As pessoas também não devem passar nenhum código de segurança ou qualquer outro dado pessoal ou do aparelho celular.

COMO FUNCIONA O GOLPE DO WHATSAPP CLONADO

Alguém recebe uma mensagem de Whatsapp de um familiar, amigo ou conhecido, pedindo a transferência de dinheiro para uma situação urgente. Querendo ajudar, a pessoa transfere, na hora, a quantia pedida. Depois, descobre que na verdade o número do conhecido havia sido clonado e o depósito foi feito para uma terceira pessoa de fora. 

Geralmente difícil que alguém desconfie, já que as mensagens vem exatamente do mesmo número de seu amigo ou familiar. Enquanto o whatsapp está clonado, o aparelho celular da vítima permanece desligado, ou seja, não tem como quem recebeu a mensagem confirmar com o próprio emitente a verdade sobre os pedidos, 

GOLPE DO CARTÃO BANCÁRIO

O golpe começa com uma ligação ao cliente, de uma pessoa se passando por funcionário do banco, dizendo que o cartão foi clonado e que é preciso bloqueá-lo. Para isso, bastaria cortá-lo ao meio e pedir um novo pelo atendimento eletrônico. O falso funcionário pede a senha, e fala que, por segurança, um motoboy irá buscar o cartão. O que o cliente não sabe é que, com o cartão cortado ao meio, o chip permanece intacto, e é possível realizar diversas transações.

Como evitar?

Nenhum banco pede o cartão de volta ou se oferece para retirá-lo. Então, desligue o telefone e consulte seu gerente sobre alguma irregularidade.

IDOSO MORREU APÓS RECEBER LIGAÇÃO DE GOLPISTAS E PASSAR MAL

Foi registrado na CPJ, no início de dezembro, um Boletim de Ocorrência onde um professor de 41 anos, residente n o Bairro Santa Tereza, na Zona Norte de Marília,  filho de um aposentado de 67 anos, relatou que o pai foi a óbito no último dia 1° de deste mês, após receber uma ligação em seu celular do Rio de Janeiro, onde informavam que a filha dele havia sido sequestrada e exigiam R$ 5 mil para libertá-la, caso contrário a matariam. Se identificavam como integrantes de uma facção criminosa.

O filho do idoso chegou a fazer depósitos bancários que somaram R$ 3.700,00. Enquanto isso, o idoso permaneceu com os criminosos na linha, mas acabou passando mal e perdendo a consciência.

Foi socorrido até um pronto-atendimento, mas horas depois, devido ao trauma, sofre um infarto agudo e morreu.

Em meio aos transtorno, a filha do idoso entrou em contato com a família avisando que estava em um ônibus a caminho de Marília e ficou sabendo da história. Caso registrado como extorsão.

DESPACHANTE PERDEU R$ 3,8 MIL

Um despachante de 41 anos, foi a mais recente vítima do "golpe do whatsapp clonado" em Marília. Nos últimos dois meses, foram cerca de quarenta casos desta natureza, com grandes prejuízos para as vítimas. 

O despachante recebeu uma mensagem de um amigo, que provavelmente também teve o whatsapp clonado, dizendo que seu pai (pai do amigo) havia sido vítima de roubo na Rodovia Castelo Branco e precisava de dinheiro, O despachante disse que não tinha dinheiro. Então, pediram para ele mandar um código de segurança, pois os ladrões haviam levado o celular da vítima e a mesma precisava entrar em contato com seus familiares.

O despachante enviou o código de segurança e acabou tendo o seu whatsapp clonado, também, Em seguida, os golpistas começaram a enviar mensagens para seus amigos pedindo dinheiro, ora dizendo que era para uma cirurgia do filho, ora que era para documentação de veículo, ora para ajuda financeira. Um dos amigos do despachante depositou R$ 3,8 mil para os golpistas. 

Em outros casos, que são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações, um empresário perdeu cerca de R$ 18 mil nesse tipo de golpe. 

OUTRAS VÍTIMAS

Um representante comercial, E.J.S,  de 41 anos, M.J.S.D, residente em Bauru, relatou que um morador na Zona Sul de Marília, de 54 anos, anunciou no site OLX a venda um veículo VW Gol, ano 2013.

Disse ter recebido uma ligação de um homem identificado como Tarcísio, o qual lhe apresentaria o veículo. E. afirmou ter visto anúncio do mesmo veículo no OLX pelo preço de R$ 15 mil. Então entrou em contato com o número descrito no anúncio, sendo o mesmo que entrou em contato com M., o dono do carro, sendo que a pessoa disse que o veículo estaria na casa de seu cunhado, de nome Marlon e que este queria pagar no carro R$ 25 mil parcelado. Mas era para a vítima informar que pagaria R$ 21 mil, fazendo depósito de somente R$ 15 mil em nome de sua esposa, sem contar para Marlon, para não o chatear.

Consta no B.O que diante do fato, ficou evidente que uma pessoa "clonou" o anúncio feito por Marlon e a vítima E. foi enganado por ela e depositou R$ 15 mil na conta de uma mulher na agência da Caixa, na cidade de Taubaté

EM OUTRO GOLPE, PEDREIRO PERDEU R$ 2,5 MIL

Um pedreiro de 30 anos, que anunciou no OLX o desejo de comprar uma motocicleta de até R$ 5 mil.

Ele, que mora em Vera Cruz, relatou no B.O ter recebido ligação de um homem dizendo que tinha uma motocicleta Honda CG 150 FAN, ano 2013/2014 e venderia por R$ 4 mil, oferecendo ainda um desconto de R$ 500 durante as negociações. 

Em seguida, recebeu ligação de um outro "vendedor" dizendo que a moto pertencia ao seu cunhado e que estava em Brotas (distante 204 quilômetros) e poderia ver a motocicleta lá. O pedreiro foi de ônibus até Brotas e ambos se encontraram na Rodoviária.

Após ver a motocicleta, a vítima\ foi até uma agência bancária e depositou R$ 2.500 para ua conta em agência de Cuiabá, conforme havia sido indicado pelo primeiro "vendedor" que ligou pra ele. 

Quando retornou à Rodoviária, o pedreiro foi surpreendido com a mudança de versão do homem, dizendo que era o verdadeiro dono da moto, tinha recebido uma oferta melhor e não havia recebido o dinheiro do intermediário (o "vendedor" que ligou primeiro para a vítima) e se recusou a entregar a motocicleta ao pedreiro.

Caindo na real, a vítima descobriu que havia caído em um golpe e  tentou registrar a ocorrência em Brotas, mas não conseguiu. Voltou de ônibus para Vera Cruz e depois registrou o caso na CPJ, em Marília, já que a Delegacia de Vera Cruz também estava fechada.

PERDEU UMA CAMINHONETE HILUX

O dono de uma caminhonete Toyota/Hilux, branca, ano 2013, J. residente no Bairro Salgado Filho em Marília, perdeu o veículo após tentar vendê-lo pelo site da OLX. O veículo foi anunciado por R$ 109 mil.

Ocorre que um golpista, apresentando-se como Anderson, anunciou a mesma caminhonete por R$ 81 mil. O dono do veículo relatou que de fato recebeu ligação de uma pessoa perguntando sobre o anúncio e dizendo que tinha um amigo interessado no veículo e que queria vê-lo.

Solicitou a J.O que levasse a caminhonete até um endereço na Zona Sul de Marília, onde o comprador N. estava.

O dono do veículo foi até o referido endereço. O comprador se interessou e disse que ficaria com a caminhonete, mas ambos não conversaram sobre preço, pois o golpista já tinha orientado eles a não discutir valores.

Em seguida, J. e o comprador foram até um cartório, no dia 1° de abril, para concretizar o negócio. O comprador, orientado pelo golpista, depositou R$ 81 mil em uma conta bancária indicada por ele, em uma agência em João Pessoa (PA).

J. concordou com o depósito pensando que o dinheiro seria repassado para a  sua conta. Entregou o veículo e o recibo de transferência assinado para o comprador. Ao verificar sua conta, descobriu que tinha caído em um golpe e procurou a CPJ, mas já era tarde. Perdeu o veículo. 

PERDEU UM CHEVROLET PRISMA

Em outro caso, um autônomo de 43 anos, residente no Bairro Ana Carla, em Marília, viu um anúncio no site OLX de venda de um Chevrolet Prisma pelo valor de R$ 46 mil. Iniciou conversa pelo chat com um tal de Rodrigo (golpista) e ofereceu R$ 30 mil à vista. 

O golpista disse que o veículo estava em nome de um cunhado mas de fato era dele.

Em contato com o verdadeiro dono do carro, um técnico em informática residente em Promissão, o golpista o orientou a trazer o mesmo para mostrar ao comprador, em Marília. 

O comprador se interessou, levou o carro em um mecânico de sua confiança e no dia seguinte foram juntos a um cartório de notas no centro de Marília para concretizar o negócio.

No trajeto, o comprador ainda perguntou ao dono do carro sobre seu parentesco com o tal de Rodrigo, o qual confirmou. Orientados pelo golpista, ambos não falaram em valores nem dados sobre qual conta seria depositado o dinheiro do negócio.

Quando estavam no cartório, o comprador e o vendedor receberam mensagem via Whatsapp enviada pelo golpista, mostrando recibo de um depósito de R$ 46 mil feito por ele na conta do dono do carro.

Após a assinatura do recibo de transferência pelo dono do carro, o comprador foi sozinho até uma agência do Banco Santander e fez o depósito de R$ 30 mil na conta indicada pelo golpista, em nome de uma mulher, em uma agência de Presidente Prudente.

No dia seguinte, o vendedor foi até o local de trabalho da esposa do comprador, querendo pegar o carro de volta, pois o dinheiro não havia caído na conta dele. Descobriu então que havia sido mais uma vítima de golpistas que usam site de vendas na internet. Perdeu o veículo.

MULHER PERDEU R$ 3 MIL 

Em outro golpe por site de vendas na internet, uma mulher de 30 anos, residente no Jardim Planalto, na Zona Sul de Marília, perdeu R$ 3 mil.

Ela relatou na CPJ ter visto um anúncio de venda de uma motocicleta Honda Biz, ano 2015, por R$ 6 mil. O anúncio estava em nome de Júnior (golpista).

Após conversações, ela foi convencida a depositar R$ 3 mil em uma agência da Caixa Econômica Federal, de Várzea Grande (MT). Após ela realizar o depósito, o golpista retirou o anúncio do site e não atendeu mais o celular. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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