Polícia investiga morte de bebê com família acolhedora, em Bauru. "Levaram meu filho sorrindo e me devolveram morto", diz a mãe

June 27, 2019

A Polícia Civil de Bauru investiga a morte de um bebê de 2 meses que estava sob os cuidados de uma família acolhedora. Leonardo Theodoro Rodrigues de Oliveira foi enterrado, nesta quarta-feira (26), no Cemitério do Jardim Redentor. Ele morreu no final da manhã de terça-feira (25), cerca de 16 horas após ficar internado no Hospital Estadual (HE). A informação consta no boletim de ocorrência (BO), que diz ainda que ele teria dado entrada na unidade médica apresentando afundamento de crânio e vazamento de líquido do local e do ouvido.

O caso foi registrado como morte suspeita. A polícia não descarta nenhuma hipótese por enquanto e investiga se a morte decorreu de fator acidental, como uma queda, por exemplo, ou de um possível crime de homicídio, culposo (quando não há intenção) ou com dolo.

A criança havia sido retirada do convívio de sua família em 7 de junho pelo Conselho Tutelar, que apontou negligência nos cuidados com o pequeno, assim como de um irmão dele de 1 ano, que apresentavam escabiose, doença conhecida como sarna. Eles receberam tratamento e seguiam abrigados, até então, com uma família acolhedora, cadastrada pela Fundação Toledo (Fundato).

LAUDOS

A polícia aguarda, agora, o laudo do exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), que deve confirmar se a causa da morte foi mesmo o afundamento da calota craniana, na região occipital (próxima à nuca), além de apontar há quanto tempo existia o trauma, que tipos de objetos podem ter resultado na lesão ou se o problema foi decorrente de queda.

O inquérito sobre o caso será conduzido pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). "Não podemos afirmar nada por enquanto. Iremos ouvir a família biológica, a família acolhedora e a Fundato. Solicitamos também perícia técnica na casa da família acolhedora. Aguardaremos ainda o laudo necroscópico", cita a delegada Priscila Bianchini, titular da DDM.

ACOLHIMENTO

O JC tentou contato com a família acolhedora, mas não conseguiu localizá-la.

Por meio de nota, a Fundato apenas confirmou que uma criança sob a guarda e responsabilidade de uma família acolhedora cadastrada morreu, por causas ainda desconhecidas. "A entidade lamenta o ocorrido e se coloca à disposição para todos os esclarecimentos necessários, aguardando a apuração da causa do óbito que vem sendo investigada pelas autoridades competente", disse em nota.

Segundo a reportagem apurou, a família em questão participa do programa de acolhimento desde 2014 e nunca teria tido problemas.

Após o ocorrido, o irmão mais velho de Leonardo foi encaminhado de volta para a Fundato. Outras duas crianças também com escabiose tiradas do convívio da mesma família em 7 de junho seguiam abrigadas com outras famílias distintas ontem.

COMO FUNCIONA?

O serviço de acolhimento em questão funciona como uma espécie de abrigo. A família cadastrada no programa cumpre uma série de requisitos e recebe aproximadamente um salário mínimo por mês e a guarda provisória da criança ou adolescente para ajudar em sua criação em tempo integral por alguns meses. Não é possível adoção ao final da acolhida.

‘Levaram meu filho sorrindo e devolveram morto’, diz mãe

 

 Marinalda Alves, Delma Rodrigues e Adrieli Caroline Alves, respectivamente, avô, mãe e tia do garoto, estão indignadas

 

Mãe de Leonardo, Delma Rodrigues, de 17 anos, chorou ao contar que não via o filho há quase 20 dias. "Levaram meu filho sorrindo daqui e me devolveram morto. Fiquei sabendo que ele estava no hospital apenas quando ele já havia morrido" cita. "Ele estava com escabiose, mas iria passar por tratamento e voltar para nós. No caixão, vi que o corpinho já estava sarado. Deveriam ter me devolvido", critica Delma.

Leonardo morava com a mãe, que está desempregada; o pai, Adriano Alves, 26 anos, autônomo; a avó, Marinalda Alves, 49 anos, desempregada; e a tia, Adrieli Caroline Alves, 24 anos, também desempregada. Ele também deixa um irmão de 1 ano e dois primos de 5 anos e 8 meses. A família morava em um casebre no Parque Jaraguá, mas, há um mês, aproximadamente, conseguiu se mudar para uma casa na Vila Industrial.

"Pegamos a escabiose lá naquela casa no Jaraguá. Acho que o antigo dono tinha cachorros. Nos falaram que era uma infecção na pele, primeiramente. A informação sobre a tal da escabiose veio só depois. Não houve negligência alguma", afirma Adrieli. "Concordamos que as crianças fossem para o abrigo para serem tratadas, porque nós adultos também tivemos que passar por tratamento. Mas, sempre estávamos em contato com a Fundato para saber se elas estavam bem", completa a jovem.

A avó Marinalda diz que, agora, a família irá lutar para conseguir as demais crianças de volta. "Estamos sem chão e desesperados para conseguir de volta os que estão longe", pontua.

CONSELHO TUTELAR

O conselheiro tutelar responsável pelo caso disse que o órgão foi acionado, cerca uma semana antes do dia 7 de junho, após receber relatório do Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI) informando a situação da família, que apresentava escabiose.

"Na visita, constatamos que as quatro crianças estavam com escabiose e possuíam feridas. Algumas sangravam. E tanto o quintal quanto o interior da casa estavam sujos", afirma Guilherme Melo.

 

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