Aposentados do Ipremm farão protesto na porta da Prefeitura, hoje, contra atrasos em pagamentos. Gestão Daniel Alonso aumenta rombo e já deve R$ 100 milhões ao Instituto

July 5, 2019

Os aposentados do Ipremm (Instituto de Previdência do Município) deverão fazer um protesto a partir das 13h desta sexta-feira (5), em frente a Prefeitura, contra a decisão de fazer pagamentos escalonados aos cerca de 1.700 beneficiários. 

Eles deveriam receber os proventos e pensões hoje, mas parte dos pagamentos só deverão ser feitos pela Prefeitura no próximo dia 12, , conforme informações do Ipremm ao Sindicato dos Servidores Municipais.

A gestão Daniel Alonso (PSDB) não está fazendo repasses ao Instituto e já deve mais de R$ 100 milhões ao órgão. As dívidas são fruto da má-gestão financeira da atual gestão.  Na quarta-feira, representantes do Sindicato fizeram uma reunião com vereadores na Câmara Municipal para tratar do assunto, mas não resolveu nada. Ontem a tarde deveria haver uma reunião com o secretário municipal da Fazenda, Levi Gomes, mas ele cancelou o encontro após ouvir uma entrevista "com críticas de sindicalistas" em uma emissora de rádio. 

IPREMM VAI QUEBRAR

                                 Mônica Silva, presidente do Ipremm 

 

Em audiência pública na Câmara Municipal, na tarde de quarta-feira (29) a presidente do Ipremm (Instituto de Previdência do Município de Marília), Mônica da Silva, disse que o órgão está "indo ladeira abaixo".

Apontou como o principal problema o déficit entre pagamentos e contribuições de aposentadorias, em relação aos servidores mais antigos. "Esses mais antigos avançam nas contribuições dos mais novos e isso não é justo", observou. Ela disse que o Ipremm indicará "algumas medidas" (não citou quais) para "ajustar" esta situação. 

"SE NÃO HOUVER REFORMAS NÃO HAVERÁ DINHEIRO"

Sobre o cálculo atuarial, a presidente do Ipremm disse que o Instituto necessitaria de R$ 2,4 bilhões para finalizar os pagamentos de aposentadorias e pensões de todos os 7.282 servidores municipais até 2039.

"Precisamos de meios de capitalização para essa projeção", disse ela, sugerindo reformas no sistema do Ipremm. Ela apelou aos vereadores para terem "responsabilidade nas propostas e aprovações de concessões de benefícios salariais para os servidores. As concessões de benefícios sem estudos é nefasta".

Observou as quedas de patrimônios e repasses do órgão e que nos primeiros quatro meses deste ano o Instituto teve aumento de cerca de 13% ou quase R$ 1 milhão na folha de pagamento, incluindo o reajuste salarial de 5% aos servidores. "Precisamos de R$ 20 milhões no caixa hoje. Nem tenho coragem de passar isso ao prefeito", disse Mônica. O caixa do Ipremm hoje tem cerca de R$ 16 milhões. "Se não houver reformas, não haverá dinheiro para pagar os servidores ativos e nem os inativos".

Ela afirmou que o Ipremm tem R$ 280 milhões (dívidas da Prefeitura) "de uma massa falida". Mônica disse que a Prefeitura deveria repassar atualmente R$ 9,3 milhões mensais para o Ipremm. Hoje, o repasse é de cerca de R$ 2 milhões.

A dívida atual da Prefeitura com o Ipremm é de cerca de R$ 90 milhões (entre aportes repasses patronais). Os pagamentos de parcelamentos de dívidas de cerca de R$ 200 milhões deixadas por gestões passadas estão em dia. O último parcelamento de dívidas foi aprovado pela Câmara Municipal em dezembro de 2016, último ano da gestão de Vinícius Camarinha. 

O diretor financeiro do órgão, Fabiano Monteiro, mostrou que os valores de pagamentos de aposentadorias e pensões aumentaram cerca de R$ 900 mil apenas entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018. "Assustador! Uma angústia constante que se agrava a cada dia", comentou. 

"O INSTITUTO VAI QUEBRAR"

O secretário de Governo da Prefeitura, Alysson Alex de Souza e Silva, participou da audiência e também fez previsões terroristas. "O colapso está à porta e o Instituto vai quebrar em três anos. Isso é uma realidade, vai quebrar e é assustador". Ele comparou o Ipremm à uma pirâmide  que está tombando a cada ano.

Comparando as finanças do órgão a "cobertor de pobre", ele sugeriu a criação "para ontem" de uma comissão para estudar o colapso do Ipremm "e pensar uma reforma geral no órgão". Em dezembro de 2016 a folha de pagamento mensal do Ipremm era de cerca de R$ 6 milhões e hoje está em torno de R$ 9 milhões. "Estamos vivendo nesta gestão o pior momento da economia, com frustração de receitas e aumento de despesas", disse o secretário. "Com esses números apresentados pela presidente do Ipremm confesso que entrei em choque", disse Alysson. 

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

WHATSAPP DO JORNAL DO POVO PARA ENVIO DE SUGESTÕES, FOTOS OU VÍDEOS
99797-5612 
99797-3003
Siga "JP POVO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black