Revoltados, motoristas protestam na Câmara contra projeto do prefeito Daniel Alonso que prejudica a categoria. Proposta nociva continua no Legislativo

October 8, 2019

Revoltados com um Projeto de Lei do prefeito Daniel Alonso (PSDB) que pode criar grandes prejuízos em seus vencimentos, motoristas da Prefeitura fizeram um protesto durante a sessão da Câmara Municipal, na noite desta segunda-feira. 

Na semana passada eles já haviam realizado assembleia extraordinária pedindo que o prefeito retirasse da Câmara o tal projeto que extingue gratificações aos motoristas que cumprem horas extras.  O pedido não foi atendido.

'SOU TOTALMENTE CONTRA ESTE NOCIVO PROJETO", DIZ NARDI 

"Sem saber das dificuldade dos motoristas da Saúde,por exemplo, que transportam doentes para São Paulo, passam horas e horas, madrugadas fora, as vezes são obrigados a voltar, deixar os pacientes nas casas, em jornadas extremamente difíceis, eles (prefeito e assessores) fazem esses projetos mirabolantes. Ele são loucos para verificar o impacto que determinadas medidas que serão tomadas terão no orçamento da Prefeitura, mas com o impacto na vida dos servidores não estão nem aí. Dão com uma mão e tiram a outra", disse o vereador Luiz Nardi, na sessão de ontem. "Sou totalmente contra mais este nocivo projeto da atual gestão contra os servidores municipais, desta vez, tentando prejudicar os motoristas. Chega!". 

Nardi integra a Comissão de Justiça e Redação, onde o projeto está tramitando. "Estamos analisando bem essa proposta e se não houver mudanças, nosso parecer será contra este projeto", afirmou Nardi.

COMISSÃO FORMADA

O Sindicato também formou uma comissão, composta por quatro membros, para discutir a questão com o poder público. Grupo é formado por dois motoristas da saúde: Vanderley Sândalo Filho e Valter Celestino e dois da educação: Edson Luiz Zeferino e Natalino Ferreira, que, juntos, vão pleitear um diálogo com a administração.

Filho alerta que, caso a proposta não seja retirada, haverá prejuízo de 100% do serviço à população. “O projeto é que eles (Executivo) estão querendo pagar 25% da nossa referência. Muito abaixo das horas extras que fazemos mensalmente. Hoje, o motorista da saúde, que vai para São Paulo, fica uma média de 90h/mês longe de casa. E os 25%, que ofereceram para a gente, é o equivalente a apenas 22h deste tempo. Se este projeto persistir, nós vamos parar. O que pode acarretar em um prejuízo de 100% da população.

 Prefeito Daniel Alonso ignorou pedido da categoria para retirada do projeto da Câmara. 

Vereador Marcos Rezende encaminhou proposta para as comissões 

 

 

"TOTALMENTE DESUMANO"

Isso porque carregamos pacientes aos fins de semana, feriados, e alunos da zona rural e distritos em horários que não compõem nossa grade. Se formos cumprir a nossa jornada, trabalharemos das 7h às 17h, sem horas extras. Não é justo com a gente. Nós temos família e trabalhar sem remuneração não é justo”, explica.

De acordo com o motorista Rubens Reis, a proposta é desumana. “Com este projeto, nós vamos trabalhar em uma carga horária que não será fácil, passar a noite inteira dirigindo. Passar o dia, a noite, sábado e domingo à disposição dele (Daniel Alonso), nos designando para fazendas, distritos, caminhão de lixo. É o que ele (Alonso) falou que iria fazer, totalmente desumano, fora da realidade. Ele não está tendo orientação”, completa.

Conforme legislação vigente, no MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o cumprimento de horas extras aos sábados, a partir das 13h, garante ao trabalhador 50% da remuneração. Feriado e domingo, valor chega a subir 200%. “A administração criou uma comissão própria, sem nenhuma representação dos trabalhadores, e criaram este projeto, que foi nos apresentado, de forma separada, sem nenhuma abertura para discussão. Do jeito que nos foi mostrado, era bom. Mas depois, parando para analisar corretamente, vimos que só nos onerava. Em princípio, o Executivo queria dar gratificação de 10% para todos, mas como tem muitos que não fazem hora extra, aumentaram a proposta para 25%. Só que não houve participação. Isso é regime de escravidão. Não tem como prestar um serviço de qualidade desse jeito”, salienta o servidor Valter Luís dos Santos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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