COFRES ABARROTADOS: Câmara aprova megaempréstimo de R$ 23 milhões para Daniel Alonso. "Um cheque em branco para quem não tem crédito nenhum"

October 30, 2019

                    Daniel Alonso terá R$ 23 milhões para gastar como quiser 

 

"Até estranho uma Caixa Econômica Federal emprestar R$ 23 milhões simplesmente para praças e asfalto! Mas sem projeto, sem especificações de locais onde será gasto esse dinheiro. Falta transparência e respeito à esta Casa", disse o vereador Luiz Nardi (PR) sobre o futuro rombo nos cofres da Prefeitura com a aprovação pela Câmara, na noite desta terça-feira (29) de um megaempréstimo de R$ 23 milhões para o prefeito Daniel Alonso (PSDB).A votação começou por volta das 21h e terminou perto da meia-noite.

"Como se chega a R$ 23 milhões sem projeto e cálculo de custos?! Isso é subestimar qualquer critério, de forma vaga e quem vai pagar é a população. Esse projeto é vergonhosamente eleitoreiro", afirmou.

Essa administração não tem crédito nem cuidado com o dinheiro público. "Só mentiras! Olha o que fizeram com o Ipremm!", comentou. "Os vereadores estão dando um cheque em branco para quem não têm crédito. Um passa-moleque, uma tapa na cara daqueles que querem transparência", disse Nardi. "Isso que acontece aqui é um grupelho que se reúne para levantar um empréstimo eleitoral. Um desastre para o povo pagar com seus impostos", resumiu.

             Vereador Nardi: "esse projeto é um tapa na cara de quem quer transparência"

 

DINHEIRO NOVO

Já o vereador José Carlos Albuquerque (PRB) disse que os recursos servirão para obras. "Governos anteriores não fizeram o que será feito. Sem dinheiro novo na praça não dá para fazer nada. As empresas que serão contratadas para essas obras vão gerar empregos", disse Albuquerque.

UM PREFEITO CRISTÃO

"Se o governo não se endividar, não consegue fazer nada. Assim é com a dona de casa, o cidadão", comparou o vereador Cícero do Ceasa (PV). "Se não me engano, 90% das demandas que estão nas mãos do prefeito saem desta Casa, dos pedidos dos vereadores...Se o prefeito Daniel endividar porque vai fazer o asfalto do Jardim Paraíso, glórias a Deus, temos um prefeito cristão", disse Cícero. 

CHEQUE EM BRANCO

O vereador Wilson Damasceno (PSDB) lembrou que a Câmara já aprovou R$ 15 milhões para iluminação e até agora não fizeram nada. "E agora pedem mais R$ 23 milhões pára uma cidade parada que encerra o expediente às 14h e não paga os aposentados e nem cumpre o plano de carreira dos servidores públicos porque diz que não tem recursos. E nesse momento dão um cheque em branco de R$ 23 milhões!", disse ele.

Ele lembrou que os vereadores não sabem quais praças, parques e ruas serão asfaltadas. "Um projeto sem transparência sem definição da capacidade de endividamento do Município...Em março foi lançado pelo prefeito um programa de asfalto de R$ 30 milhões e mais R$ 10 milhões para parques e praças e até hoje não têm nem projetos disso! O prefeito disse que a cidade teria um canteiro de obras. Alguém viu isso?", questionou. "Não vou assinar um cheque em branco e nem compactuar com isso", disse Damasceno.

MAIS DE R$ 500 MILHÕES DEM DÍVIDAS 

"Ninguém é contra melhorias na cidade. Já aprovamos nesta Casa uma série de financiamentos, mas não vimos nada na prática", disse o vereador Danilo da Saúde (PSB). "Pôxa, não têm projetos para esse empréstimo, sequer uma carta de intenções! Não sabemos quais ruas poderão ser recapeadas. Até agora só vemos melhorias em bairros de luxo e nada na periferia", observou. "O governo Daniel Alonso já acumula mais de R$ 500 milhões de dívidas", acrescentou. "Aprovamos mais de R$ 1 milhão para reformas de poliesportivos e não fizeram nada. Aprovamos R$ 15 milhões para a iluminação pública e não trocara uma lâmpada sequer. Palavra não serve de garantia, porque esse governo não honra palavra", disse. "Esse empréstimo é para oba-oba eleitoral para tentar mais uma vez enganar a população".

CIDADE ESTÁ FALIDA

"Dinheiro novo para velhas práticas políticas", disse o vereador José Luiz Queiroz (PSDB). "Esses R$ 23 milhões vão de transformar em R$ 36,7 milhões para os marilienses pagar, com 60% de juros e correção monetária, até 2029...Desconheço qualquer pessoa que vá contratar um empréstimo no banco para decidir depois onde vai gastar o dinheiro. Desconheço!", afirmou. "O destino desses R$ 23 milhões é obscuro, não se tem projeto nem planejamento", disse Queiroz.  "A Prefeitura deve quase R$ 500 milhões e está falida, senão não estaria fechando as 14h", observou. "Estão armando uma bomba para a próxima gestão", resumiu. "De onde o prefeito chegou aos R$ 23 milhões? Número cabalístico ou tem algum projeto que justifica esse valor". 

CHEQUE EM BRANCO MAIS OU MENOS

"Estamos aqui autorizando que a Prefeitura faça o empréstimo junto à Caixa Federal. Esse projeto não é eleitoreiro porque vem sendo construído desde 2017 e só não foi pedido antes por percalços do Governo Federal...Esse dinheiro tem como destino mobilidade, porque é a natureza dele. Temos informações da Prefeitura que neste momento não há cumulação de outros pré-financiamentos", disse o vereador Marcos Custódio (PSC). "É um cheque em branco mais ou menos porque estão especificadas as áreas onde serão investidos os recursos", observou. "Não significa também que a Caixa vai liberar R$ 23 milhões. Queira Deus que sim", afirmou. Custódio disse que pedirá a formação de uma comissão de vereadores para fiscalizar a aplicação do megaempréstimo. "Dizem que a obra é eleitoreira. A negação dela também não é?". 

SERÁ TIRADO DINHEIRO DOS SERVIDORES?

"Não coloquem na minha conta a questão eleitoreira. Isso é baixo! Não penso que o projeto é eleitoreiro e se ainda o for, faz parte do jogo. Dizem que quem vota contra o empréstimo é contra o desenvolvimento da cidade. Isso é desonesto", afirmou o vereador Maurício Roberto (PP). "O que falta nesse projeto são os lugares onde serão colocados esses R$ 23 milhões, até para analisarmos se daria ou não para fazer as obras, se elas tivessem sido esclarecidas", comentou. "Será que essas obras só beneficiarão bairros "X", que não precisam", questionou. O vereador também pediu explicações sobre de onde será tirado dinheiro para pagar esses megaempréstimo, além do FPM. "Será tirado dinheiro dos servidores?", questionou.

TERRENOS DE R$ 300 MIL 

"A questão se resume de forma sucinta na autorização de um empréstimo de R$ 23 milhões para obras de praças, parques e asfalto. Obras públicas. Dadas as condições que essa gestão pegou a Prefeitura é fundamental e necessária a autorização de empréstimos para despesas de capital", disse o vereador Mário Coraíni (PTB). Ele disse que R$ 23 milhões para obras é pouco. "Terreno em Marília está R$ 300 mil", comparou. "Não vejo nada de temeroso", afirmou. "Quando o país está em crise, com os investidores com medo de perder, é preciso que a Prefeitura gaste. É gastando que se gera circulação de dinheiro. Tem que fazer dívidas", defendeu o vereador. 

OBRAS ABANDONADAS 

"Estou bem tranquilo para votar a favor desse projeto. Moro na Zona Norte há 30 anos e aquela população sabe das obras abandonadas lá, como o Ribeirão do Índios, ruas sem asfalto e a população nos cobra onde foi o dinheiro", disse o vereador João do Bar (PHS).

"Não acredito que a Caixa vai dar esse dinheiro sem investigar as obras. Uma MEI pega R$ 10 mil de empréstimo e tem que prestar contas. Não acredito que a Caixa vai emprestar esses R$ 23 milhões sem conhecer os projetos", disse. Ele também defendeu a formação de uma comissão de vereadores para acompanhar o empréstimo. 

ROMBO SERÁ DEIXADO PARA O PRÓXIMO GOVERNO 

Cinco vereadores foram contra o megaempréstimo: Luiz Nardi (PR), Danilo da Saúde (PSB), Wilson Damasceno (PSDB) e Zé Luiz Queiroz (PSDB). Maurício Roberto (PP). 

Daniel Alonso quer deixar o rombo para o sucessor dele pagar, já que as primeiras parcelas, pelo projeto, começariam a ser pagas daqui a dois anos (2021), ou seja, quando ele já não estiver mais na Prefeitura, uma vez que deixará o cargo em dezembro do ano que vem.

Agora, caberá à direção da Caixa Econômica Federal analisar as documentações e riscos para conceder esse megaempréstimo para uma cidade já endividada e uma gestão reprovada pelo próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

ROMBOS

Esse novo megaempréstimo pode castigar ainda mais a população, já que a atual gestão vem atrasando pagamentos de fornecedores essenciais, como empresa de coleta de lixo e empresas da área de Saúde, além de atrasos de repasses para o Ipremm e nos pagamentos doa aposentados.

O prefeito Daniel Alonso também vem atrasando pagamentos de aposentados e pensionistas (viúvas) do Ipremm (Instituto de Previdência do Município de Marília). As dívidas da atual gestão com o Ipremm já passam de R$ 100 milhões. Outra situação precária que indica a inviabilidade desse novo rombo é a falta de remédios, insumos e até fraldas nas Unidades de Saúde. 

O endividamento, pela proposta, teria como garantia recursos do FPM (Fundo de Participação do Município). O projeto já havia sido enviado à Câmara Municipal. Muito vago, teve pedido de explicações. Retornou sem maiores detalhes e pior: o valor inicial de R$ 16 milhões subiu para R$ 23 milhões. 

"EXPERIÊNCIA"

Daniel Alonso tem "experiência" em empréstimos. Como "bom gestor" (se apresentou assim na campanha eleitoral de 2016) fez um avalanche de empréstimos na Casa Sol e atualmente a empresa está afundada em dívidas, execuções judiciais de credores e leilões. Na campanha eleitoral, Daniel Alonso prometia "levar para a Prefeitura a mesma gestão que fazia na Casa Sol". 

 

 

 

 

 

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