Proposta de corte de benefício salarial pelo prefeito Daniel Alonso revolta professores. "Injusto e arbitrário", diz Sindicato

November 6, 2019

      Professores reunidos no Sindicato dos Servidores Municipais, nesta terça-feira 

 

Professores que atuam em regime de dedicação parcial na Rede Municipal de Ensino em Marília estão revoltados com a proposta do prefeito Daniel Alonso (PSDB) em retirar incorporação de 1/3 aos salários deles.

Cumprem dedicação parcial professores que adquiriram algum tipo de doença (física ou mental) no exercício da função, o que é comprovado através de laudos médicos.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais realizou uma reunião no final da tarde desta terça-feira (5) na sede da entidade com professores nesta situação e considerou a atitude do prefeito como "injusta e arbitrária".

O Sindicato já está mobilizado contra esta decisão e aguarda para esta quarta-feira (6) uma posição da Prefeitura sobre revogação da referida proposta. 

"Aguardamos um retorno amanhã (6), mas independente da resposta, a tarefa do magistério é construir uma ampla mobilização para retomarmos a discussão da incorporação do 1/3 ao salário, ou seja, a adequação à Lei do Piso Nacional. O Estatuto do Magistério Municipal não está alinhado às leis federais. Essa é uma discussão importante para a categoria e já passou da hora do poder publico regularizar essa situação", cita nota do Sindicato encaminhada ao JP. 

   Prefeito Daniel Alonso: corte de mais um benefício dos servidores municipais

 

PUNHALADA

 

A professora aposentada da Prefeitura, Carmem Lúcia Ribeiro, comentou a situação na página dela no Facebook. 

"A punhalada hoje está sendo no grupo dos professores que se encontram em dedicação parcial. Quem são esses? São os profissionais que, no exercício de sua função, contraíram algum tipo de doença  (física, emocional, psicológica ou mental) que o impede de exercer todas as atribuições do cargo, passando a desempenhar parcialmente suas funções, sendo as que não pode mais realizar, substituídas por outras. Hoje, esses professores QUE CONTRAÍRAM ALGUM TIPO DE DOENÇA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO  (que fique bem claro!) receberam a informação de que não tem direito de serem remunerados como os professores que ainda não tem laudo de doença contraída na profissão.

 Digo ainda porque só quem está lá, dentro da sala de aula, sabe das dores que essa profissão nos impõe. Nos trás alegrias também, muitas, mas essas são compartilhadas abertamente... as dores, não ( professor é o profissional mais genuíno que conheço- me desculpem os demais).

As dores muitas vezes são vividas no isolamento e, infelizmente, são raros os que conseguem se aposentar sem levar consigo uma marca de dor no corpo, por meio de uma doença, como já disse, física, emocional, psicológica ou mental.

E digo mais, muitas doenças são contraídas devido a precarização do serviço: professor tem que trocar fralda, dar banho, ser psicólogo, assumir mais de uma turma, lidar com número excessivo de alunos na sua própria turma, dar conta da inclusão estando sozinho numa turma, limpar um espaço se quiser dar dignidade à criança carregar peso pra cima e pra baixo e tantas outras coisas mais que eu sei bem como é pois sou testemunha viva do que estou falando.
Hoje, meus amigos professores que se encontram em dedicação parcial, me solidarizo com vocês e digo que a dor de vocês é a minha também porque entendo que empatia não é se colocar no lugar do outro mas, estando no meu próprio lugar, conseguir sentir o que o outro sente. O que mais eu puder fazer, creiam que o farei.

Só um pedido, se me permitem: não aceitem de forma resignada. Há muito erro na legislação do Magistério Público Municipal, principalmente na forma de pagar o que hoje querem tirar de vocês".

 

RETIRADA DE DIREITOS

 

Outra servidora aposentada da Prefeitura, Izabel Brandão, se manifestou sobre o assunto:

"Fico pensando... quanto será que esse prefeito irá economizar com mais essa retirada de direitos do servidor? Professores doentes pelo exercício da função, cujo valor 1/3 do seu referencial. valor esse irrisório perto do que se gasta com publicidade na Prefeitura, valor que não cobre metade das diárias de suas viagens e seus secretários.

Será que com essa diferença ele colocará todas as contas em dia? Pagará o Ipremm sagradamente? Pagará os direitos atrasados de servidores com progressão por mérito? Horas extras? Executará obras de tapa buracos nas ruas da cidade que parecem a lua? Fará a limpeza de praças e terrenos abandonados? Fará reformas em escolas e construirá mais creches e berçários? Abastecerá postos de saúde com remédios e melhorará o atendimento na saúde? Será que conseguirá resolver todas as deficiências do Município?
Claaaro que não! Mais direitos serão retirados dos demais, motoristas já sentem na pele. Professores também.
Será que agia dessa forma com seus funcionários de suas empresas? Pois vivia ganhando prêmio de melhor empresa pra se trabalhar. Ou seria fake? Fico aqui me perguntando."

 

 

 

 

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