Cabo Águida, pivô no caso das mortes de dois PMs em Bauru faz tratamento psiquiátrico e diz que não viu a troca de tiros entre eles

November 28, 2019

 

 

             O sargento Agnaldo, que era marido da cabo Águida e o cabo Sabino

 

A revelação de que não havia chumbo nas mãos da cabo Águida Heloísa Barbosa Rodrigues, 47 anos, no dia em que o marido dela, o sargento Luciano Agnaldo Rodrigues, 50 anos, e o cabo e judoca Mário Sabino Júnior, 47, morreram se soma, agora, a mais uma informação relevante sobre o caso que chocou Bauru em 25 de outubro deste ano.

Em entrevista concedida com exclusividade ao Jornal da Cidade, a advogada da policial, Mariana Storniolo Chioramital, contou que Águida não estava armada no dia do crime, porque ela tinha, já há três anos, uma restrição de uso de arma de fogo.

"A medida foi imposta desde que ela foi diagnosticada com transtorno bipolar. Ela não pode carregar arma consigo ou manter em casa enquanto estiver em tratamento psiquiátrico", cita.

Por conta do distúrbio, a cabo passou a tomar medicamentos de uso controlado e a desempenhar somente funções administrativas no prédio do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4). Atualmente, Águida está em férias, fora de Bauru.

Outra informação trazida pela advogada é que Agnaldo e Sabino morreram fardados. Para Mariana, este detalhe deverá fazer com que o crime seja apurado somente em âmbito militar.

Conforme o JC noticiou, a Polícia Civil questiona na Justiça a competência para conduzir as investigações sobre o caso. "O Agnaldo estava de plantão no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) naquela noite. Como o sistema de dados havia caído, ele saiu para fazer o horário de jantar e foi até o local onde a Águida e o Sabino estavam", detalha.

Já o judoca, de acordo com a advogada, havia retornado de um evento em Tarumã (SP), onde representou a corporação, e não havia se apresentado no Batalhão para encerrar formalmente o dia de trabalho. "A Águida era a única dos três que não estava em serviço e que estava desarmada e a única cujo exame residuográfico deu negativo", acrescenta.

NÃO VIU

Ainda de acordo com Mariana, a cabo não presenciou a possível troca de tiros entre Agnaldo e Sabino. Conforme a versão apresentada no inquérito, Águida teria recebido várias ligações telefônicas do marido e decidiu ir embora do local, onde estava com Sabino.

Ao manobrar sua caminhonete, já que a rua era sem saída, se deparou com o veículo conduzido pelo sargento. "O Agnaldo desceu, ela abriu a porta da caminhonete e foi empurrada por ele. A Águida viu o marido fazer o primeiro disparo, mas não sabe se chegou a atingir o Sabino. Depois disso, com medo, ela ficou abaixada, deitada no banco, para se proteger", detalha.

O judoca foi atingido por três tiros, um de raspão na têmpora direita, um no ombro e outro na nuca. Já o sargento Agnaldo sofreu cinco lesões, sendo uma na cabeça (do lado direito), uma no tórax, outra próxima à virilha direita e as últimas na coxa direita (com orifícios de entrada e saída do projétil).

As duas armas - o revólver calibre 38 do sargento e a pistola ponto 40 de Sabino - foram disparadas, mas as circunstâncias do crime só devem ser esclarecidas com a conclusão das investigações. Ainda restam alguns laudos a serem elaborados e expectativa é de que o inquérito policial militar - em que Águida consta, até o momento, consta como testemunha - seja encerrado no final de dezembro.

Por meio de nota, a PM reforçou que o inquérito segue em sigilo e que, para não prejudicar a investigação e preservar a intimidade dos envolvidos e seus familiares, todos os fatos são tratados com discrição. "Com relação aos exames periciais, há possibilidade de surgir a necessidade de novos exames e a investigação apontar outras diligências consideradas relevantes à elucidação dos fatos e circunstâncias", pontua o comunicado.

 

 

 

 

 

 

 

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