Homem que dirigiu na contramão pela Rodovia ao sair de motel com duas mulheres, causou acidente com 4 mortes e 3 feridos pega 11 anos de prisão

February 7, 2020

O Tribunal do Júri de Bauru condenou, nesta quinta-feira (6), Davi Machado da Silva, de 60 anos, a cumprir 11 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por causar acidente na rodovia que terminou na morte de quatro pessoas e provocou ferimentos em outras três.

A sentença foi proferida pela juíza titular da 1.ª Vara Criminal, Érica Marcelina Cruz, e considerou que os crimes ocorreram em concurso, ou seja, quando uma só ação ou omissão resulta em vários crimes, o que rendeu a pena máxima em homicídio de trânsito. Cabe recurso da decisão.

O crime ocorreu na madrugada de 28 de julho de 2012, quando o condutor saía embriagado de um motel com duas mulheres e ingressou na contramão da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros. Após rodar cerca de 2 quilômetros na faixa da esquerda, ele colidiu frontalmente contra um carro ocupado por cinco jovens, que seguia no sentido Pederneiras/Bauru. Duas jovens morreram na hora, Larissa de Moura Franco da Rocha, 20 anos, Chríssili Zampieri de Moraes, 25 anos, moradoras de Pederneiras.

As outras duas mulheres que estavam no carro do réu, Iracema de Goes Araújo, 36, e Fabiana Duque da Silva, 18, também não resistiram.

Por maioria de votos, o Conselho de Sentença reconheceu que o réu cometeu homicídio com dolo eventual ao dirigir sob efeito de álcool e trafegar na contramão da rodovia, por cerca de 2 quilômetros, assumindo o risco de matar. E que ele também cometeu lesão corporal com dolo eventual contra outros três jovens, dois deles tiveram ferimentos graves e comprometimento de movimento de membros do corpo.

 

 Familiares usaram camiseta com as fotos de Chríssili Zampieri de Moraes e Larissa de Moura Franco da Rocha, duas das quatro vítimas, como forma de protesto / Foto: Reprodução

EM LIBERDADE

Também ferido na ocasião, Davi Silva foi colocado em liberdade na semana do crime. Nesta quinta (6), a situação não mudou. Réu primário, ele saiu pela porta da frente do Fórum, porque teve o benefício de recorrer da condenação em liberdade. 

O fato revoltou familiares de duas das quatro vítimas fatais, que usavam camisetas como forma de protesto. Eles comemoraram a pena máxima para o crime, mas acreditavam que o réu sairia de algemas.

"Quem sabe um dia ocorra a privação da liberdade dele por uns bons anos. É o que espero. Nada vai aliviar a dor de ninguém. Quatro vidas se foram. Mas as pessoas precisam refletir, outras mortes no trânsito aconteceram por causa de bebida. Não desejo que ninguém perca um filho assim", desabafa Vera Moura, mãe de Larissa.

"Até hoje, a minha irmã não se recuperou. Espero que um dia ele cumpra essa pena", acrescenta Erlaína Zampieri, tia de Chríssili.

DEFESA

A defesa tentou afastar o dolo eventual, alegando falta de provas. Advogado do réu, Lino José Henriques Júnior defendeu a tese de culpa consciente, ou seja, de que o réu agiu com imprudência e imperícia, mas que não poderia prever o resultado morte, que estava confiante que iria conseguir evitar qualquer acidente e que sua vontade não era de ferir ou matar.

O curioso é que, no plenário, o réu teria negado o crime que foi confessado na delegacia, dizendo acreditar em sua absolvição. A situação gerou certa indisposição e foi explanada na sentença pela juíza.

ACUSAÇÃO

A Promotoria, por sua vez, considerou que o condutor permaneceu na faixa em contramão, mesmo tendo sido alertado sobre sua conduta por uma ocupante do carro. Fabiana morreu no dia seguinte ao acidente, mas chegou a contar para um policial, que foi ouvido como testemunha no Júri, ter gritado alertando Davi sobre o perigo.

"Ele não puxou o carro nem mesmo para o acostamento. Poderia ter tentado uma manobra, pelo menos, mas quis seguir e pela faixa da esquerda. Aquilo é uma rodovia, não uma avenida ou uma rua sem movimento. A velocidade é alta e ele sabia dos riscos e continuou", cita o promotor Djalma Marinho Cunha Filho.

A TRAGÉDIA 

A colisão violenta entre o Ford Fiesta, de Davi, e o VW Gol ocorreu na curva do quilômetro 228 da Bauru-Pederneiras, na altura do bairro Tangarás, por volta de 0h30, de 28 de julho de 2012. Na ocasião, o então acusado a narrou à polícia que havia ingerido bebida alcoólica em um bar e saía de um motel quando se perdeu no trevo de acesso e ingressou na contramão da rodovia, sentido Pederneiras-Bauru. O choque frontal fez com que o Gol, que era conduzido por Fábio Neves Franco, namorado de Larissa, capotasse. Também seguiam no carro o primo de Fábio, José Wilson Jr, agora com 28 anos, e Caroline Favero, hoje com 25 anos, que tiveram ferimentos graves. José Wilson perdeu alguns movimentos do braço e Caroline teve o movimento das pernas comprometido.

Larissa e Chrissieli morreram antes mesmo da chegada do socorro. Iracema também morreu no local do acidente. Os condutores dos dois automóveis sofreram ferimentos leves, porque o impacto mais forte pegou o lado direito dos veículos. "Foi um trauma, demorou para que eu conseguisse seguir a vida. Fiquei muito tempo sem sair de casa. Nada vai trazer elas de volta, mas a justiça precisa ser feita. Ele poderia ter evitado o acidente", lamenta Fábio Franco, hoje com 27 anos.

 

 

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