Homem que participou de ataque à viatura da PM em Marília, foi solto da Penitenciária e acabou preso em Guarulhos é condenado por uso de documentos falsos

February 11, 2020

Considerado de alta periculosidade, Wagner Roberto da Silva, o Pelé, acusado de envolvimento em ataque a tiros contra uma viatura da Polícia Militar, durante investidas do PCC contra agentes da Segurança Pública  em todo o Estado, em maio de 2006, foi condenado a mais 3,6 anos de reclusão por uso de documentos falsos na cidade de Guarulhos (SP), cidade onde já havia sido preso. No ato da prisão ele apresentou CNH e carteira de Identidade falsas ao ser abordado por policiais civis em uma casa noturna naquela cidade. 

Pelé já havia sido condenado a mais de 30 anos de prisão, além do ataque em Marília (que feriu um policial), também por tráfico de drogas. Segundo a polícia, ele comandava o tráfico internacional de drogas e armas do Paraguai. A juiz Patrícia Cotrim Valério, da 1ª Vara Criminal de Guarulhos, condenou o acusado e manteve a prisão preventiva dele. 

VIVIA FORAGIDO NO PARAGUAI 

De acordo com a polícia, Wagner vivia foragido em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e veio a São Paulo visitar o irmão dele. Na madrugada, quando os dois saíam de uma casa, ele foi preso.

“Ele exercia a função e comando de uma organização criminosa no Paraguai, especialmente aí no tráfico de drogas e o tráfico de armas, tanto para o nosso pais para o Brasil, tanto para países limítrofes da região”, disse o delegado Danilo Alexiades.

Ainda de acordo com a polícia, Wagner é suspeito de envolvimento na morte do traficante Jorge Rafaat em 2016 em Pedro Juan Caballero para assumir o lugar dele no tráfico internacional. E também de ter participado do roubo a uma empresa de transporte de valores em 2017, em Cidade del Leste, quando foram levados R$ 40 milhões.

Seria colhido material genético de Wagner que pode comprovar a participação dele nesse assalto. Wagner Roberto da Silva já tinha sido preso no Paraguai, mas, segundo a polícia, foi libertado da prisão por criminosos.

Nos autos, um policial que participou da prisão do criminoso relatou que "realizava investigação sobre o crime organizado, tendo obtido informações de que Wagner, que residia no Paraguai, local onde dirigia o crime organizado, estava no Brasil. Soube que o réu estaria em uma casa noturna no município de Guarulhos e se dirigiu ao estabelecimento comercial juntamente com seu parceiro de equipe. Localizou Wagner em companhia de seu irmão Júlio Roberto Alves Pereira, dentro do veículo Jeep Renegade. Em revista pessoal e ao veículo nada de ilícito foi encontrado. Porém, o réu apresentou dois documentos falsos, sendo uma carteira de habilitação e uma carteira de identidade. Realizada pesquisa em nome do acusado, localizou três mandados de prisões em aberto em desfavor do réu".

Os policiais aguardaram Wagner sair e foi abordado no estacionamento. Sobre o nome, disse que era Gustavo e, após revista, foram encontrados dois documentos em nome de Gustavo e Paulo; Paulo era o nome Elton Leonel da Silva, vulgo galã, que após a morte de Jorge Rafah no Paraguai, teria assumido o comando da facção junto como réu no Paraguai.

VENDEDOR DE ROUPAS

Em interrogatório, Wagner afirmou que tem 38 anos, tem o segundo grau incompleto, é vendedor de roupas e ganha cerca de R$ 3.500,00 mensais. Tem antecedente criminal em Marília, mas não se lembra quais. Disse que a acusação é falsa. Veio ver seu irmão mais novo, que estava no Brasil, e viu que havia policiais no bar. Quando saíram, os policiais abordaram-no, mas em nenhum momento disse que era outra pessoa. Afirma ter dito que era Wagner Roberto e não uso o documento falso porque estava com o irmão e não queria uma situação ruim. Disse que está preso preventivamente por homicídio, tentativa.

Ao Promotor respondeu que alugou o veículo com o documento falso de Gustavo. Não tinha nenhum documento em seu nome verdadeiro Ao defensor respondeu que os policiais fizeram a abordagem chamando-o de Wagner; eles já sabiam que era ele. O documento de Paulo estava no carro.

Na delegacia o chamavam de Wagner, de Paulo, tudo quanto é nome. Não ofereceu nenhuma resistência porque estava com seu irmão de sangue. Sabia que era procurado, há 13 anos. Acrescentou que, de certa forma, sabia que isso iria acontecer e ficou aliviado. Morou no Paraguai e na Bahia. Conseguiu ficar foragido porque se afastou de coisa errada, não porque foi muito esperto.

POLÊMICA AO SER SOLTO DA PENITENCIÁRIA DE MARÍLIA 

Após ser preso em flagrante e acusado pelo ataque à viatura policial em Marília em maio de 2006, Wagner respondeu a processo por tentativa de homicídio, que tramitou na 3ª Vara Criminal do Fórum Estadual. 

Em setembro do mesmo ano, ele foi solto da Penitenciária de Marília sem autorização da Justiça, gerando polêmica em nível estadual. O então governador, Cláudio Lembo, determinou à Secretaria da Administração Penitenciária sindicância para apurar o caso. 

O juiz da 3ª Vara Criminal de Marília -em que correu o processo-, Décio Divanir Mazeto, ao tomar ciência da soltura, expediu um mandado de recaptura e encaminhou ofício à Corregedoria de Presídios de Marília, requisitando providências. Wagner, desde então, estava foragido, até ser preso em Guarulhos. 

A Secretaria da Administração Penitenciária emitiu uma nota, na ocasião, com a versão da direção, afirmando que Wagner deixou a unidade com base em alvará de soltura da 2ª Vara Criminal da cidade, em que foi condenado por estelionato, mas obteve o benefício de prestar serviços à comunidade.
A direção alega ter consultado as varas criminais de Marília, o Tribunal de Justiça e a Prodesp antes da soltura. Porém, funcionários da 3ª Vara Criminal disseram à Folha não ter recebido nenhuma consulta sobre o processo.
Na nota, a pasta disse que a 3ª Vara informou que a denúncia não havia sido recebida. 
Segundo o governador, o alvará de soltura seria analisado para que não pairassem dúvidas a respeito de sua autenticidade. ""Tinha um documento que parecia ser oriundo do Judiciário. Pode ter sido ou não", afirmou.
Para o juiz Mazeto, em entrevista à Folha, o mais provável era que tivesse havido engano, mas ele considerou ""difícil" que o site da Prodesp, que traz dados sobre pessoas processadas, tenha falhado. ""O sistema demonstra fielmente se um cidadão está preso, inclusive com uma tarja vermelha."

 

 

 

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