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  • J. POVO- MARÍLIA

"CASO DA CARTEIRADA": Advogado aciona Corregedoria contra perito e questiona laudos em pneus


Advogado Marcos Manteiga protocolou representação na Corregedoria da Polícia Civil


O advogado Marcos Manteiga, de São Paulo, que defende o sargento PM Alan Fabrício Ferreira no chamado "caso da carteirada", em Marília, afirmou ao JORNAL DO POVO na tarde desta segunda-feira (13), que a ONDHAS (Associação Organizacional Nacional de Direitos Humanos dos Agentes da Segurança Pública), na qual ele figura como procurador, protocolou hoje uma representação na Corregedoria da Policia Civil do Estado de São Paulo, em desfavor do perito Fábio Buonome El Khouri, do Instituto de Criminalística da Polícia Civil em Marília, que fez perícia nos pneus do veículo da vereadora professora Daniela Alves (PL), durante a polêmica e apurações do caso. O laudo atestou que os pneus do carro estavam em condições técnicas de uso.

Carro da vereadora foi periciado no Pátio da Ciretran, onde ficou apreendido

"Em tese, ele praticou o crime de falso testemunho (falsa perícia - art. 342 do CP) e Abuso de Autoridade (Art. 29, Lei 13.869/19), por não ter feito perícia em 360º graus nos pneus do veículo da vereadora, pois o fabricante dos pneus afirmou existir 36 TWI’s nos pneus do modelo periciado e só foram periciados 4 TWI’s, deixando de fazer em outros 32 no mesmo pneu. Com isso, não há provas que o sargento Alan tenha cometido crimes de falsidade ideológica e abuso de autoridade", explicou o advogado.

No documento protocolado hoje na Corregedoria, assinado por Marcos Manteiga, ele pede a instauração de inquérito policial para apurar as denúncias citadas e o afastamento do perito. Faz ainda questionamentos como: "será que a Vereadora Professora Daniela foi beneficiada em eventual recurso administrativo, para que não fosse responsabilizada na multa aplicada?".

"Será que a Coronel Márcia Cristina Cristal Gomes tinha forte influência sobre o I.C local ou mesmo sobre o acusado?".

"Ou será que o Nobre Perito foi induzido por alguém para assim trabalhar?".

O "CASO DA CARTEIRADA"

Vereadores João do Bar e Coraíni, da CP, votaram pelo arquivamento das denúncias contra a vereadora Daniela. Albuquerque foi voto vencido


A polêmica começou no dia 16 de agosto do ano passado, quando o carro da vereadora, conduzido pela filha dela na Zona Leste de Marília, foi apreendido e guinchado durante a madrugada por estar com documentos vencidos e pneus gastos, de acordo com o sargento.

Na ocasião, a vereadora ligou para a tenente-coronel Márcia Cristal, então comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar de Marília, que entrou em contato com o policial e ameaçou trocá-lo de função caso não tivesse "bom senso" nas abordagens. “Olha o que você tá causando, porque politicamente ela é vereadora. Não teve nem uma conversa, o que você está achando que você é?”, questiona a comandante em áudio da ligação. Em seguida, o sargento foi afastado do policiamento de trânsito.

Na versão oficial ele já estava com viagem marcada para participar de um curso de Policiamento de Trânsito promovido pela corporação, em São Paulo, onde obteve o primeiro lugar e foi condecorado.

A vereadora foi alvo de uma Comissão Processante na Câmara que apurou eventual tráfico de influência. Ao final dos trabalhos, em dezembro, o plenário da Câmara, por unanimidade, decidiu pelo arquivamento das denúncias contra a vereadora, que já havia sido releita para o atual segundo mandato.

A tenente coronel se licenciou do cargo após a polêmica, foi transferida, promovida e aposentada. O sargento PM Alan segue respondendo a questionamentos na corporação. O advogado Marcos Manteiga foi processado e na semana passada condenado a pagar indenização de R$ 10 mil à coronel Márcia Cristal por danos morais.



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