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  • J. POVO- MARÍLIA

"Uma grande e pesada cruz onde querem me pregar", diz o prefeito Daniel Alonso na CPI da Covid


Em depoimento na CPI da Covid, na Câmara de Marília, na manhã desta sexta-feira (21), o prefeito Daniel Alonso (PSDB), que compareceu usando um jaleco com emblemas da Prefeitura e do SUS, classificou a pandemia da Covid como "uma grande e pesada cruz, onde querem me pregar". E citou: "quando eu pedir água, me darão vinagre".

O presidente da Comissão, vereador Élio Ajeka (PP), iniciou a oitiva dizendo que a CPI "não tem motivação política". Não tem questão politica nenhuma aqui. Queremos um bate papo tranquilo". Pediu para evitarem tumulto durante a oitiva. Houve discussão entre o Assessor Especial de Governo, dr. Alysson Alex e o presidente da CPI, Ajeka, que tentou limitar o tempo de cada resposta do prefeito em cinco minutos. O chefe de gabinete da Prefeitura, Márcio Espósito, também direcionou alguns torpedos ao presidente da Comissão. Houve princípio de tumulto, mas controlado.

Falou sobre o vírus e perguntou o que o prefeito acha disso?.

Alonso disse que "ficou feliz" quando Ajeka disse que a CPI "é para levar informações e não fazer política". Afirmou que "têm aqueles que estão aqui no nosso meio querendo aproveitar essa pandemia para fazer poiiticagem".

Disse que vê a pandemia como "uma grande e pesada cruz para a humanidade. E tem a oposição quer quer colocar essa grande e pesada cruz nas costas do prefeito e depois, lá na frente, pregaro prefeito nessa cruz e se eu pedir água, e darão vinagre". Entonando a voz, perguntou: "alguém tem dúvida disso?".

Acrescentou: "essa cruz tem que ser suportada por todos nós", citando os hospitais da cidade. Destacou que a Prefeitura, com sua equipe, estudou "como receber o vírus na nossa cidade. Criamos o Comitê da Covid, que tomou decisões em conjunto".

"Seguimos firmes buscando salavar vidas, empregos e a economia da nossa cidade. Buscando testagens, vacinas e outras ações". Citou o trabalho da primeira dama, Regina Alonso, na distribuição de cestas básicas à comunidade. O prefeito disse que pediu durante toda a pandemia: "se cuidem, porque a doença é séria".

UTIS

Sobre as UTIS, em Marília, o prefeito disse que "não adiantava criar um leito de UTI para cada habitante, 250 mil habitantes. O leit de UTI não é garantia de vida, é paliativo e sempre houve falta de UTIs em todo o país". Citou o caso do pai de um médico coordenador de UTI em Marília que faleceu esta semana vítima da Covid, num leito de UTI.

O prefeito disse que foram utilizados todos os leitos de UTIs dos hospitais em Marília, além dos leitos de enfermaria. Ao todo, 248 leitos em Marília. Alonso ressatou que também, existe dificuldades para obtenção de insumos e formação de equipes específicas para UTIs.

Afirmou que não montou hosptais de campanhas porque Marília possui uma excelente estrutura com hospitais e seria um desperdício. Citou cidades que montaram e logo desmontaram essas tendas e alugaram hotéis. "Só desperdício".

VERBAS

Sobre as verbas para a pandemia, Alonso disse que a Prefeitura recebeu cerca de R$ 40 milhões para investimentos diretos no combate à pandemia e outros cerca de R$ 30 milhões para recompor perdas de receitas, sem vínculos com a pandemia. "A Prefeitura faz milagre com o orçamento", resumiu.

TROCA DE SECRETÁRIO

Sobre a troca do secretário municipal da Saúde, Ricardo Mustafá, no início da pandemia, pelo atual titular da pasta, Cássio Luiz Pinto Júnior, o prefeito disse que Mustafá pediu exoneração porque naquele momento pretendia ser candidato a vereador (mas desistiu em seguida).

Quanto à nomeação de Cassinho, disse que "naquele momento, no olho do furacão, não poderia fazer experiências. Cassinho era secretário da Administração e experiência em gestão. Naquele momento era a pessoa maios indicada". Sobre o fato do secretário não ser médico, resumiu: "isso é balela".

Em alguns momentos da CPI, o prefeito apontou para alguns membros da imprensa, citando-os como "representantes do grupo do Barrabás", numa alusão ao ex-prefeito Abelardo Camarinha.

Criticou a primeira página de um jornal (sem citar o nome) que publicou matéria sobre "denúncias de superfaturamento de máscaras" com uma cruz na primeira página. "Quando ví essa desgraça fiquei doido", disse Alonso. Lembrou que chamou assessor e foi esclarecido que se tratava "de fake news".

Completou que "todas as informações sempre foram colocadas no Portal da Transparência, com critérios severos e sem apontamentos ou ressalvas do Tribunal de Contas. Falar sobre transparência é chover no molhado".

A vereadora Vânia Ramos disse que a CPI "não é caça às bruxas", questionou as compras de respiradores e outros equipamentos. "Isso não se resume ao Estado e União, mas muito à colaboração da sociedade, como empresários que participaram do Comitê de Gestão da Covid. Sou eternamente grato a eles".

No discurso final, o prefeito Daniel Alonso elevou a voz e disse que "se sente triste por mortes", destacou que o trabalho em Marília ajudou a salvar vidas e vai "tirar as máscaras do canalhas Barrabás", referindo-se à parte da imprensa e opositores. "Confio em Deus e nesta CPI".



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